segunda-feira, 11 de setembro de 2017



O amor. Esse sentimento cantado e admirado que nos leva aos céus, nos faz sentir protegidos, nos faz sentir importantes. Gostamos de pensar que ele resolverá todos nossos problemas, pensamos ser um suporte necessário, talvez seja, o que pode nos cegar. A angústia de não amar e não ser amado quando todos estão. Esquecemos do amor que já temos e saímos em busca de alguém para nossa carência. A carência é perigosa, te faz aceitar migalhas. E quando abrir os olhos perceberás que está amarrado a um relacionamento que não é genuíno, não lhe acrescenta, mas te fez dependente. O amor deveria ser libertador como andar de bicicleta sem camisa, tomando um sorvete de banana sob um céu ensolarado. Se esse não for o sentimento, não é amor, é apenas mais um de seus problemas. O amor não causa males para pessoas, pessoas confusas que causam males para a reputação do amor. 

Marie Brown

Feira da banana



Novembro sempre foi seu mês favorito. Além de significar as primeiras vibrações do verão, também era o mês da Feira da Banana em seu bairro. Era quando ela andava de bicicleta com seu melhor amigo pelas ruas, promovendo a feira aos berros; quando, ao fim do dia, eles colocavam a camisa de seu time e iam jogar vôlei debaixo de um belo céu crepuscular. Seus novembros sempre foram assim... Mas aquele estava diferente. De alguma forma, ela sabia. Quem sabe o primeiro sinal não foi o rosto corado de seu amigo, os olhos brilhando tanto? Ou, talvez, o modo como ele a olhava o tempo todo, vidrado, como se ela fosse seu grande amor... Ou como ele a beijou no fim do dia, finalmente dizendo que, sim, ela era seu grande amor. Ora, aquele novembro foi diferente. Foi melhor. É... Novembro definitivamente era seu mês favorito. 

Rocket Queen
Eu estava andando por uma rua da tijuca e percebi que era dia de jogo do flamengo.Logo,corri para comprar meu ingresso e vestir minha camisa rubro negra.Meu amor pelo time tão grande que quando vou ao Maracanã eu me sinto no céu.Porém chegando na bilheteria fiquei sabendo que os ingressos haviam se esgotado.Fiquei com tanta raiva que até mandei uma banana para o vendedor.

Tom Jobim

Acordou cedo naquela manhã abafada e olhou para o céu. O sol irradiava raios tão amarelos quanto uma banana, o verão tinha chegado de repente. Levantou-se, vestiu sua camisa preferida, azul levemente amarrotada, e desceu a escada. Tinha um bilhete na mesa da sala mas ele não precisava ler para saber do que se tratava. Por que o amor tem que ser tão complicado? Suspirou. Pegou sua bicicleta e saiu sem tomar café da manhã. Seria um longo dia. 

Perséfone Reis
Ontem, enquanto arrumava meu armário, encontrei uma velha camiseta com uma estampa de banana, no fundo da gaveta. Ela já não mais cabia em mim, mas assim que as lembranças da camisa me invadiram, não consegui jogá-la fora. A blusa tinha sido um presente de aniversário, não sei bem de quem, mas me recordo de diversos momentos memoráveis com ela: andar de bicicleta sem rodinhas pela primeira vez, provar uma maçã-do-amor numa festa junina por ser muito bonita, mas não terminá-la por ser muito enjoativa e sentar no quintal do meu avô para olhar o céu estrelado. Diversas lembranças foram construídas junto com aquela camisa que era simples, confortável e, agora, pequena demais para mim. Acabei por doá-la, era apenas uma peça de roupa, alguém poderia fazer melhor uso dela, talvez fazer novas memórias que eu espero que sejam tão boas quanto as minhas.

Lana Banana
Ah, minha doce infância. Tive tantas experiências gratificantes que até hoje não consigo dizer se foram sutis ou gloriosas, pois, é no tempo do hoje que a mente e o coração da criança se une às percepções do adulto. O eu que aqui escreve pode até usar uma camisa de botões enquanto assiste a juízes e come o pão que o presidente amassou, mas, tão presente quanto este, é o eu de 20 anos atrás, com sua camisa do Mickey, o delicioso bolo de banana que a mãe sabe fazer, e o E.T. de Spielberg na TV. Saudoso E.T. que estás no céu, santificada seja sua capacidade de voar pelos ares em tempos de desespero! Quisera eu ter tua bicicleta e ver meus problemas como pontos lá no chão. Porém, não deixarei que o amor por estes tempos que passaram ofusque a vivência do presente. Ainda carrego o coração de criança, mas minha cabeça de adulto sabe que, no fim das contas, somos nós quem fazemos nossas próprias bicicletas.

Misty Martinez
Meu sobrinho adora futebol e é muito fã do Neymar, sempre corta o cabelo igual ao dele e tal... Até tatuagem de hidrocor o moleque já fez. Aí no Dia das Crianças do ano passado eu dei pra ele uma CAMISA do Brasil e ele ficou todo bobo. Usa direto, principalmente quando vai jogar bola com os amiguinhos da rua. Até na hora que faz o gol ele comemora igual o Neymar, apontando o dedo pro CÉU. Esse ano eu queria dar pra ele uma BICICLETA, mas fui demitido em julho e não tenho dinheiro nem pra comprar uma maçã do AMOR. A crise tá braba amigo, tá pegando todo mundo. Bom, quase todo mundo né, porque pros políticos sempre tem muita grana rolando... O povo brasileiro é muito BANANA...

Policarpo Quaresma