quinta-feira, 11 de novembro de 2021

TRISTE POR NÃO TER TRISTEZAS


Posso ser considerado uma pessoa privilegiada no tocante ao assunto felicidade. Me recordo de poucos casos onde a tristeza tenha me consumido por inteiro, algumas desilusões amorosas vêm à cabeça, momentos ruins ligados ao meu time de futebol, mas nada tão significante ao ponto de me fazer expressar nessa crônica.   


Agora me pego pensando, até que ponto isso é bom? Ou será que nem existe o lado bom? Com uma fase triste nós ficamos mais fortes, aprendemos a superar conflitos futuros, todos precisam passar por tristuras para amadurecer. 


Estou triste. Triste por não lembrar de tristezas. Me vem à mente uma estrofe de uma canção do Fábio Brazza que antes eu nunca havia entendido, mas que agora faz sentido pra mim: “Minha maior tristeza seria, se a tristeza me abandonasse um dia e me deixasse órfão da poesia. Antes a sua companhia do que andar de alma vazia, é que o poeta só caneta se tiver melancolia”.   


Todos queremos ser felizes, mas a tristeza faz parte, a fase ruim é sempre um intervalo entre duas fases boas. Aprender a lidar com isso é aprender a viver.  


 Arthur Antunes

O processo da dor que você não esperava

                                        O processo da dor que você não esperava


O maior problema da dor é que ela não avisa quando vai chegar. Claro que muitas dores vêm de forma gradativa, mas aqui vamos falar daquelas que só surgem do nada, como um esbarrão repentino nas nossas vidas. Essa dor nunca avisa nada. E então ela chega, choca, se espalha, corrói, destrói.

Mas ela também não avisa por meio do que ou de quem vai ser sua visita. E para doer mais ainda, pode vir por meio de alguém importante. Mas e quando vem da mais importante? Sabe, aquela pessoa que você nunca imaginou que fosse soltar sua mão e que nunca faria algo que te deixaria nem metade do quão destruído você se sente agora? Aquela que é uma das poucas — se não a única — que você sempre contou como alguém que seria constante em sua vida, para sempre? Dói. Dói quando às onze da manhã está tudo bem, mas ao meio-dia algo é falado que te magoa tanto e tudo simplesmente desaba. E quando você, além de desesperado, ainda precisa manter isso pra si mesmo e por isso passa pelas duas semanas mais longas da sua vida sofrendo sozinho. E tudo isso, acontecendo justamente na fase mais difícil da sua vida, fase essa que, agora, você não tem mais a única pessoa em quem podia confiar de olhos fechados, a única pessoa com quem você podia contar para te apoiar e te ajudar a passar por esse turbilhão de emoções. Dói muito.

Mas uma coisa, talvez um pouco bizarra, a respeito da dor, é que você acaba aprendendo a conviver com ela. Tudo bem, é algo demorado e você já chorou muito — e ainda vai chorar, mas depois de um tempo, parece que as lágrimas só cansam de cair tanto, assim como você cansa de se martirizar tanto e começa até mesmo a se esforçar para pensar em um futuro distante onde as coisas podem voltar a ser como eram antes. Mas essa fase toda também não é boa, porque é a fase do vazio. Apesar das pontinhas de esperança que vão e vêm, é durante esse momento que você vive todo aquele sofrimento de uma forma tão intensa, que você abraça esse sentimento, mesmo que inconscientemente, e parece que nada mais te abala, afinal, você chegou no seu limite, não é?

Não necessariamente. Você pode até pensar muitas vezes que "pior do que está não fica", mas não tem como a gente prever o futuro, certo? E então você se vê naquele dia mais calmo, em que seus pensamentos ainda te lembram desse sofrimento o tempo todo, mas você segue firme com seu dia, agora já controlando melhor suas lágrimas, tentando seguir em frente e, de certa forma — por mais difícil que seja e por mais que você saiba que vai levar muito tempo para isso, se é que você vai conseguir fazê-lo, — se acostumar com sua vida sem aquela pessoa nela. É nesse dia que surge algo novo, como um complemento desse assunto que você achou que tinha se encerrado dias atrás. E então tudo volta. A tristeza, a angústia, a decepção, a ansiedade, as mãos trêmulas, o coração disparado e as lágrimas caindo de novo. E a saudade. Pode até te fazer pensar em só fugir e começar uma vida nova em um lugar bem longe disso tudo. Mas nesse momento, tudo que você pode fazer é sentir, sofrer, chorar e tentar superar. Já que, infelizmente, a pessoa que você gostaria tanto de dar um abraço e pedir ajuda, ou apenas companhia, está distante — emocionalmente e fisicamente — e não pode mais te proteger.

Na verdade, o maior problema da dor é que ela não avisa quanto tempo vai levar pra ir embora.



Espelho fragmentado

No final ela não ficou “só”

Uma jovem saiu do estado de Minas Gerais após desavenças com a família e seguiu rumo ao estado do Rio de Janeiro em busca de novas oportunidades.


Ela com suas características únicas, uma mulher com uma generosidade sem tamanho. Morou com três homens ao longo da vida, após isso decidiu seguir residindo em uma residência sozinha, tendo por perto apenas os amigos e esquecendo todo o sofrimento que carregava sobre os antigos relacionamentos.

 

O ano era 2012....

 

A então mulher - que já na terceira idade - descobre um câncer de mama, corre atrás de tudo para dar prosseguimento em um tratamento e lutar contra o que te afligia. Com o apoio de seus poucos amigos, fazia viagens para quimioterapia. Felizmente a mulher conseguiu vencer após uma longa jornada.

 

Senhora feliz, brincalhona e sem “papas na língua”, o legado prosseguia sendo esse, mesmo diante de todo sofrimento que havia passado. Final de semana as boas risadas, resenhas e cervejas eram certas, com a tradição de aos domingos ir a Santa Missa em uma pequena igreja, às 8h da manhã em ponto.

 

Em 2019 tudo volta...

 

O câncer de mama voltou ainda mais forte e novamente com o apoio dos amigos ela seguiu vivendo, houve revezamento de pessoas para dormir com ela, que estava forte em um forte tratamento ainda com o corpo fragilizado por conta da primeira vez. Houve um avanço da doença por dentro dos órgãos, e no dia 20 de julho deste mesmo ano todos descobriram que não foi possível vencer...

 

Os amigos tentaram contatar a família pelas redes sociais para que soubessem da situação antes de sua morte, buscaram em sites, jornais, mas sem resposta.

 

As risadas foram silenciadas, o amor mesmo que com todo o seu jeito particular, prossegue até hoje em nossos corações.

 

Existe explicação para tanto sofrimento com esse mal do câncer que nos assola?

 

Ela não faleceu sozinha, teve os seus amigos e todos os conhecidos por perto em apoio. Não me conformo com tudo isso que ela passou e muitos passam com o câncer até o dia de hoje.

 

Ela não morreu só...


Fita Isolante

Inconstante

 Às vezes queria que você tivesse morrido. Não é um pensamento que eu gosto de ter, mas pelo menos não ficaria explícito pra mim que a sua ausência é fruto de uma escolha. Você olhou pra mim, me conheceu, me nomeou e mesmo assim não foi suficiente. Isso dói de formas mais profundas do que eu gostaria de transparecer.

Depois de alguns anos, eu me convenci de que não fazia mais diferença. “Ele não vai mais me machucar!”, era o que eu pensava. Até você aparecer de novo, com suas promessas e meu coração inevitavelmente se encher de esperanças. Claro, que essas só duravam até seu súbito desaparecimento e um sentimento amargo de estupidez. Você sempre faz isso.

Eu já me acostumei, eu já me acostumei, eu já me acostumei. Ou é isso que falo para mim toda vez que seu nome aparece na tela do meu celular. E logo depois choro, soluço, quebro. Jamais poderia me acostumar com tanto ressentimento guardado no meu peito. Eu não sou mais essa pessoa que precisa da sua aprovação, que acredita que há algo de errado em mim porque o primeiro amor que eu deveria receber veio de uma pessoa que me rejeitou de início.  Não sou essa pessoa até você aparecer de novo e me destruir.

-América


Eu não vivi

 Me pediram para escrever sobre coisas recalcadas dentro de mim. Sentimentos deturpantes, corrompedores. De tristeza, raiva, inveja, frustrações que vivi e vivo... sentir isso é algo absolutamente normal no meu ponto de vista. Sempre havemos de fazer algo errado ou sermos incapazes de concluir algo que queremos muito. Quem nunca abaixou a cabeça e se sentiu num estado de nervos absoluto a ponto de querer destruir paredes, chutar portas e bater a cabeça no chão que atire a primeira pedra. Mas ultimamente, as coisas têm estado tão monótonas...


E talvez essa seja minha maior frustração: não ter muitas frustrações. Tirando o clube de regatas - que deveria ser minha maior alegria, mas não tem sido nem perto disso - sempre é a mesma coisa. Acordo, como, durmo. Acordo, como, durmo. Acordo, como, durmo. Mais de um ano e meio vivendo esse mesmo pesadelo, sem fim, sem forças, sem vontade de mudar isso. Apenas tendo isso como plano diário. Eu invejo as pessoas que estão saindo, indo a festas, indo a bares, boates e clubes. Queria muito saber como é a sensação de se arriscar tanto em meio ao inferno que vivemos.

Me sinto tranquilo por ainda não estar fazendo isso, mas frustrado porque já éramos para estar todos vivendo essa normalidade se não fosse o governo que temos. É, não dá para fugir disso. Por mais que tentemos, todos os problemas que vivemos hoje podem e devem ser creditados aos imbecis que lá estão. Viver assim é ruim demais, sem poder me sentir triste com as coisas. Eu preferia mil vezes estar brigando com alguém na faculdade presencial e chegando em casa estressado do que ver tudo tão monótono, todas as aulas vendo carinhas quadradas sem que nada possa ser feito. Essa sensação de não ter nada para fazer é péssima, você não pode mudar o que vive, acaba tendo que ficar longe da pessoa que mais ama, dos amigos e amigas que tinha contato todo dia... você sente falta das coisas mais bestas possíveis.

Tudo isso por não ter com o que se frustrar. Eu não vivo o suficiente para ter tristezas e isso é o que mais me incomoda. Existe uma música que diz “eu usei todo segundo que esse mundo podia me dar, eu vi muitos lugares, as coisas que fiz... com todo osso quebrado, eu juro que vivi”. Infelizmente eu vivo o oposto. Já me encaminho para o final do meu curto desabafo, a famigerada conclusão do meu pensamento. Eu queria que essa conclusão fosse como a das redações do Enem onde eu pudesse dar uma solução para os problemas retratados durante o texto, mas não é, e não há nada que eu possa fazer. Eu nem vivo direito normalmente, quanto mais procurar soluções para os meus problemas. É, acho que vou continuar assim ainda por um bom tempo. Um desespero no conflito de não querer me acostumar com essa vida monótona e não poder fazer nada a respeito. Talvez o mais certo seja sumir. 

“Eu só queria sumir, sair daqui, sei lá...”

Autor: Ajuste de Atitude

Se quiser falar de amor…

 Eu achei que era aquele que durou dos meus 10 anos até os meus 15. Depois eu cheguei a acreditar que seria aquele de outros carnavais, literalmente. Após, eu achei que era aquele que chegou do nada, mas que parecia já ser um velho conhecido do meu coração. Então, logo depois, eu acreditei que era aquele que eu disse que nunca seria.

Antes disso, eu achei que não seria nenhum desses últimos; porque toda vez que eu experimento o amor, eu penso que nunca mais esse sentimento será superado, mas sempre é. E de uns tempos pra cá, isso começou a me assustar: a forma como o amor acaba, mas renasce depois em outro indivíduo. É estranho lembrar das vezes que eu chorei como se o mundo estivesse acabado e depois me apaixonei de novo, com muito mais intensidade.

Nos últimos anos, tudo foi muito instável na minha vida, os sentimentos foram avassaladores, mas não duraram muito; as pessoas foram, extremamente, marcantes, mas passageiras. O que antes era prazeroso: me entregar, tornou-se um medo, porque eu não quero mais sentir tanto por alguém que vai embora. Uma vez que, ainda que eu lembre das outras vezes e ache estranho, se acontecer de novo, eu vou chorar novamente, como se o mundo tivesse no seu quarto fim.

Quantas vezes acontecer, será a mesma quantidade de vezes que eu estragarei novas músicas que nunca mais serão escutadas da mesma forma. Quantas vezes acontecer, será a mesma quantidade de vezes que eu escreverei novas poesias jurando ser a última vez que eu escrevo sobre amor. Quantas vezes acontecer, será a mesma quantidade de vezes que eu me espantarei com a minha capacidade de amar.

Porque quando eu escrevi: “Andava procurando alguém. Por um tempo até acreditei ter encontrado… ainda bem que te encontrei pra corrigir o passado!”, eu não estava errada. Mas também não estava certa, visto que, logo depois, escrevi: “Vai e me mostra o caminho. Você é melhor sozinho. De ser sozinho você entende. Mas… e se eu me interessar por alguém?”.

Enfim, talvez isso tudo seja confuso e só faça sentido na minha cabeça, portanto, se quiser falar de amor, fale com o Marcinho…


- Ingrid Novaes

PARA ALGUÉM QUE AMAVA VIVER

  Eu estava preparada para (quase) tudo naquela época: vestibulares, formatura, maioridade e até uma nova realidade, menos para a sua ausência. Não tive tempo de te contar, mas planejava passar um tempo na sua cidade após a sua alta do hospital para retribuir, de alguma forma, tudo o que você sempre fez por mim, cuidando de você. Infelizmente, não deu tempo: a pessoa que mais me compreendia, me amava, me defendia e inspirava não estava mais entre nós. Eu não tinha chão: nosso último encontro havia sido tão rápido, naquele frio do CTI... Na sua despedida, além daquelas típicas “conversas-moles” de velório onde me comparavam com a família inteira, me disseram para ser forte. Forte, ao máximo. Afinal, minha mãe e meu avô precisariam de mim, mais do que nunca. E foi isso que fui, ou melhor, fingi, ser.

    Dois dias depois eu não me permitia mais chorar: aqui em casa todos já estavam mal o suficiente, eu não podia demonstrar fraqueza. Me perguntavam como eu estava: triste, mas conformada porque você havia descansado. A verdade é que eu estava perdida, sem muita perspectiva. Eram fins de alguns ciclos na minha vida, muito simultaneamente. Me joguei de cabeça em uma rotina exaustiva de 12 horas de estudo para tentar não lembrar, toda hora, da dor que eu estava sentindo. Conheci novos lugares, novas pessoas, mas sempre me lembrava do brilho no seu olhar e da sua empolgação quando eu te contava sobre alguma novidade da minha vida, imaginando o que você falaria sobre essas experiências.

   O momento pandêmico chegou e, junto com ele, fui obrigada a desacelerar e lidar, de uma maneira até meio traumática, com os meus próprios sentimentos que vieram à tona. Ali começou a doer. Muito. A cada dia, uma crise de ansiedade. Pensei em qual solução você pensaria e decidi cuidar de mim, pois, infelizmente, você não poderia fazer isso e eu não posso ser forte o tempo todo. Eu não queria chegar ao meu extremo, ainda mais com a rotina exaustiva que estava tendo, mesmo dentro de casa.

  Todos os dias ainda me pergunto se você ainda se orgulha de mim. Será que realmente estou fazendo as escolhas certas?  Bom, de vez em quando algo me diz que sim: lembra aquela entrevista que você me deu, de brincadeira, aos 8 anos na qual a gente falava dos problemas do seu bairro? Bom...de certa forma foi ela que me mostrou um caminho em um dos momentos de maior dúvida. Decidi, finalmente, cursar jornalismo. Sempre esteve ali, só eu não via. Foi uma escolha difícil, pois eu tinha há anos uma única alternativa em mente, haja vista que toda a família já incentivava e me via como “a advogada”, mesmo que, bem lá no fundo, eu e você soubéssemos que não era aquilo o que eu realmente queria.

  Se você ainda estivesse aqui, provavelmente as coisas seriam um pouco melhores, tenho certeza. Meu sonho era que você visse eu me formar e conhecesse meus futuros filhos. Não haveria esse buraco no meu coração, sabe? Você partiu levando um pedaço de mim, irrecuperável. Sei que já estava na hora e que você tentou ao máximo, não se entregou nem no último minuto. Isso me conforta, sei que eu era amada, ou melhor, ainda sou, esteja você onde estiver. Espero continuar te fazendo orgulhosa, sempre. Aliás, isso é o que mais me motiva a seguir e a viver. Afinal, você amava viver. E tudo isso aqui está sendo por você.

                               

   -Luísa Novelli