sexta-feira, 1 de julho de 2022

 Crônica “O fim do mundo” de Cecília Meireles 


A escolha dessa crônica reflete o sentimento de angústia da escritora que vos fala. Assim como a Cecília, também nunca entendi o sentido do mundo. Afinal, será que realmente existe algum sentido? Ainda não sou capaz de elaborar uma resposta convincente sobre isso, mas adianto que a Cecília provocou um grande estranhamento em mim. Pensar sobre a fome, as múltiplas formas de violência, a violação de direitos e a questão feminina no mundo contemporâneo desperta muita insegurança. Por isso, a sensação de estar caminhando na areia movediça, correndo o risco de ser engolida, é constante.

Quando criança, eu também acreditava que um grande meteoro destruiria o nosso planeta. Nada aconteceu. Depois, o fim do mundo foi reprogramado para o ano de 2012. Nada aconteceu. Atualmente, o relógio do clima de Nova York exibe uma contagem com a estimativa de tempo restante para evitar uma crise climática. Por enquanto, nada aconteceu. Ou seja, ainda não aconteceu. No entanto, se considerarmos o cenário mundial e, principalmente, o cenário brasileiro, estamos cada vez mais perto do fim do mundo. Se o mundo realmente acabar em outubro de 2022, será que as pessoas estariam com a consciência tranquila? Será que colocariam a culpa em uma mulher, como responsabilizam a Eva pela existência de todo o mal do mundo? Espero que não. Mas, não me espantarei caso isso aconteça. Uma coisa é certa: a História nos mostra que sempre podemos esperar o pior do ser humano. E, convenhamos, o mundo está repleto de seres humanos terríveis em posições de poder. Por isso, deixo aqui minha sincera solidariedade aos que ainda acreditam na reversão desse cenário caótico - confesso que ainda possuo uma centelha de esperança, mas especialmente hoje acordei pessimista com a nossa realidade sufocante.

Por Elizabeth Bennet

3 comentários:

  1. Gostei muito do seu texto, Elizabeth! Achei muito interessante a forma como vc narrou a sucessão de adiamentos do fim do mundo, quase como se estivesse decepcionada pelo mundo não ter de fato acabado. Eu também fiquei decepcionado.

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    1. Muito obrigada, Akil! De fato, eu carrego um certo desapontamento em relação ao fim do mundo e uma visão pessimista sobre essa questão.

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  2. Elizabeth, tivemos a mesma escolha e durante a minha escrita eu acabei fazendo algumas reflexões parecidas com as suas. Só nessa semana tiveram dois acontecimentos que me tornaram ainda mais pessimista em relação ao rumo da sociedade. O primeiro é o assassinato do Tesoureiro do PT e o segundo, mais recente, do anestesista que estuprou uma mulher durante o parto. Como acreditar na bondade da humanidade quando casos como esses acontecem toda semana? Talvez seja ótimo que a humanidade acabe, ou talvez eu esteja sendo pessimista demais.

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