Já era tarde da noite, carro em alta velocidade, minha mãe e minha tia nervosas mas tentando me acalmar, quando de repente, chegamos. Não era em nenhum lugar que eu gostasse de ir, pelo contrário, era um hospital.
Não lembro quanto tempo demorou, mas me lembro dos médicos em volta me examinando, me espetando com agulhas. Eu não estava calma.
Como poderia? Era apenas uma criança.
Não consegui entender quando não pude voltar para casa. O que estava acontecendo? Sei que estou sentindo muita dor, mas será preciso isso tudo?
Só queria voltar pra minha casa e brincar com os meus brinquedos.
Mas não, eu não voltei naquela noite. E nem no dia seguinte, e nem no seguinte.
Ficar internada em um hospital definitivamente não é algo reconfortante para uma criança de 5? 6?Bom, alguns anos.
Todos os dias eu pedia para ir embora e todos os dias eu recebia a mesma resposta “Assim que você estiver melhor você volta".
Mas quando eu ia melhorar? Será que em alguns dias? Não. Em algumas semanas? Infelizmente ainda não era o suficiente.
Será que eu nunca ia melhorar? As vezes eu ainda sentia dores, isso significaria que eu nunca mais ia poder ver meus amigos e brincar na pracinha de novo? Eu tentava pensar mais a fundo sobre isso, mas o quão profundo uma criança conseguiria ser? Eu não sei, a única coisa que eu sabia é que ficar ali me deixava triste e eu não queria ficar triste.
E então aconteceu, recebi alta. Depois de 2 meses presa em um hospital, tomando injeções e remédios todo dia, só podendo comer legumes ( e para uma criança, nenhuma injeção é pior do que ficar sem batata frita e chocolate), eu finalmente ia poder voltar para escola, ver os meus amigos e brincar com os meus brinquedos favoritos.
Mesmo após isso, eu ainda não entendia muito bem o que tinha acontecido comigo, mas naquele momento, essa era a minha última preocupação.
Princesa Consuela B. Hammock