terça-feira, 24 de maio de 2016

Ponto Final

 O despertador tocou no mesmo horário de sempre. Com aquele frio, a vontade de sair da cama era um pouco menor do que zero. Por isso, tinha uma mania de sempre ao acordar, enumerar mentalmente os motivos para se levantar. Naquele dia estava complicado. Então decidiu trocar a estratégia. No três. Um, dois e três. Levantou-seabruptamente e ainda um pouco sonolento foi se arrumar. Tomou banho, uma xícara de café e pegou uma maçã para mais tarde.

O ponto onde esperava o ônibus ficava a poucos metros de sua casa. Ia caminhando lentamente, pensando em banalidades e observando seus próprios passos. Ao chegarao destino, observou que o ônibus já se aproximava e todo mundo sabe que na cabeça das pessoas que esperam pelo transporte publico aquilo é sinal de um bom dia.

Entrou, andou até o final do ônibus e sentou no mesmo lugar de todos os diasAo se acomodar, espreguiçou-se e observou de longe uma jovem que girava a catraca. Devia ter uns vinte três ou vinte quatro anos. Levava consigo uma mochila rosa e uma pasta azul. Imaginou então que fosse uma estudante de arquitetura. A jovem sentou e ele continuou a observar. Era muito bela e sentia o impulso de ir falar com ela.

Pensou em se aproximar, sentar ao seu lado e começar a puxar assunto. O caminho até seu ponto final demorava cerca de trinta minutos. Não era muito. Mas poderia ser tempo suficiente talvez para saber seu nome e confirmar se realmente era uma estudante de arquitetura. Poderia conseguir seu Whatsapp e quem sabe marcar um encontro em um parque movimentado, para ela não se assustar, nesse final de semana. Conversariam sobre musicas, viagens e sonhos. Ela poderia gostar de artes assim como ele e ao fim do encontro já deixaria marcado outro para a exposição de Debret que acabava de chegar à cidade.

Lá poderiam falar da importância história das pinturas do artista francês. Conversariam sobre a história do povo negro e a divida histórica do Brasil com eles. Debateriam sobre as cotas nas universidades públicas, outros meios de inserção social e a atual situação política do país. Pensando bem, esse ultimo item, melhor não.

Ao chegar em casa, poderia ligar para ela e agradecer pela companhia. Poderia chama-la para um jantar em casa. Não, muito precitado. Melhor convidá-la para ir ao cinema. Ela aceitaria e lá poderiam dar seu primeiro beijo. 

Começariam a sair mais regularmente e depois de alguns encontros, pediria ela em namoro. Iria a apresentar para os seus pais, depois para os seus amigos e chamaria para o churrasco da família. Na casa dos sogros, tentaria impressioná-los mostrando seu ser um sujeito sério e estudioso. Formar-se-iam no mesmo período e iriam se mudar para uma casa no interior. Ela montaria um escritório e ele conseguiria um emprego em uma repartição publica. Como haviam combinado, não se casariam no papel e os filhos ficariam para mais tarde. Opa são gêmeos. Nossa, mais um. Tá, agora chega. Chegariam em casa cansados e se acusariam de falta de cumplicidade. O bebê acordaria e ele teria de dormir na sala. No dia seguinte, fariam as fazes e...Biiiip!!!Abruptamente acordou do seu devaneio com o barulho da porta do ônibus se abrindo. Chegara ao seu destino.


Tom

Achado

Quando pequena vivia por aí, solitária observando a natureza a minha volta. Vendo casais se formando e famílias se criando, cheguei a acreditar que nunca encontraria outra de mim, que nunca teria uma companhia.
Um belo dia, algo estranho me aconteceu. Senti uma necessidade enorme de alguma coisa que não entendia, segui apenas meus instintos. E quando percebi encontrava-me em uma claustrofóbica espécie de cabana mas que mesmo assim parecia o lugar certo pra mim. 
Sou de acreditar em sentimentos e por isso me aconcheguei por ali. No entanto, acho que caí no sono e quando acordei me senti diferente. Alguma coisa havia mudado e eu não sabia o que era. Precisava sair dali, me estiquei e de repente me vi mais alta do que sempre fui. 
Parecia estar nas alturas, todos que conhecia pareciam menores. Tudo a minha volta estava agora sobre outra perspectiva, estava mesmo diferente. Andei sem rumo por horas, até me deparar com uma linda paisagem, cheia de criaturas que eu desconhecia, mas que eram lindas de se observar, elas voavam perto das flores. Subiam e desciam, rodopiavam, era lindo de se ver. Fui chegando mais perto e notei um riacho logo ali, ao passar perto quase não acreditei no que vi.
Eu era agora uma daquelas criaturas! Não sei como e nem porque isso me ocorreu mas ao constatar isso senti uma alegria tão grande que achei que fosse explodir. Voei alto, sobrevoei as flores, ah como era bom voar! Descobri minha família, fiz amigos iguais a mim, me encontrei enquanto vagava por aí. Simplesmente aconteceu e acho que essa foi a grande transformação. Passei a me sentir parte de um todo, feliz por não ser a única de mim e satisfeita por aquilo que me foi dado. Eu tinha recebido, ou melhor me dado, o melhor presente de todos, minha liberdade e o amor pelo meu novo eu, me encontrei quando havia achado que tinha me perdido! Mas não para por aí.
Avistei chegando, todo desengonçado, outro de nós. Achei-o diferente, interessante, mas não me movi. Ele chegou dando cambalhotas no ar, ainda aprendendo a usar de suas recém adquiridas asas. Ah que asas! Mas acho que se olhar bem, se parecem bastante com as minhas. São lindas. Ao me ver sorriu e me disse oi, acho que fui nas estrelas e voltei. Mas não sei se já estava lá a mais tempo. 
O novato era engraçado, e gentil. Fazia de todos criaturas melhores só por estar ali, em poucos dias me ensinou o que eu não sabia que faltava em mim. Me ensinou a ser mais carinhosa com todos a minha volta, do jeito que ele era com todos. Me ensinou a nunca desistir simplesmente por não desistir de aprender suas novas habilidades. E me ensinou a sorrir mesmo quando caímos.
Não sei exatamente como aconteceu (o que não é novidade em minha vida) mas já sentia por ele algum tipo de sentimento, porém distinguí-lo tão prematuramente seria tolice. 
Acho que viver se tornou mais divertido e mais colorido com sua presença. Meu novo eu, ele e todos os nossos irmãos novos fazíamos um lindo grupo. Me senti mais completa que nunca e pronta para descobrir o mundo, não mais sozinha e sim muito bem acompanhada. 
Não direi agora se somos ou não um casal, pois isso poderia ser ilusão. Mas posso garantir que o que mora em nosso peito é real e cresce a cada dia. Acho que isso já é o suficiente para crescermos juntamente e descobrirmos juntos do que se trata tudo isso.

Melissa C.

Central Perk ou Maclaren’s Pub

Existe casal e existe ele e ela. Ela quer acordar cedo e caminhar com a brisa da praia às seis horas da manhã. Ele quer acordar às duas da tarde e ligar o ar condicionado. Ela quer os dois juntos cozinhando durante a tarde de domingo. Ele quer ir ao bar ver o santo futebol. “Você pode vir também.”

Ela quer um pouco de romantismo, um cartão ou um buquê de flores de vez em quando. Ele não entende pra que isso se apenas um “eu te amo” basta. Ela quer deitar no sofá em um dia de frio e ficar enrolada no cobertor junto a ele. Ele quer se esquentar de outra maneira. Ela prefere Friends. Ele, How I Met Your Mother.

Ela quer sair de casa e aproveitar toda a beleza natural que o mundo oferece. Ele quer ficar em casa e aproveitar toda a beleza artificial que os jogos oferecem. Ela quer se arrumar, passar horas escolhendo roupa e maquiagem perfeitas. Ele abre a gaveta e veste o que vier, sempre com o chinelo Havaianas no pé. “Coloca um sapato, amor. Parece até um largado.” Ela diz. “Só você vai estar arrumada demais. Como sempre.” Ele diz.

Eles brigam pela escolha do melhor personagem de um livro. “Você não entende, ele é muito mais do que isso.” Eles não entram em consenso sobre o filme a ser visto. “Esse tem violência demais.” “Esse tem romance demais.” (Acabam vendo um aleatório que, um tempo depois, é indicado ao Oscar.) Eles discutem pelo comportamento com a família. “Você discute demais com eles.” “Você os deixa decidirem o rumo da sua vida.

Mas ela não entende o impedimento no futebol. Ele explica pacientemente duas, três vezes por jogo. Ela só perde dinheiro no poker de todo domingo. Ele a deixa vencer mesmo tendo um Full House na mão. Ela tem pavor de insetos. Ele acha engraçado, mas mata todos por ela (e acaba virando o herói).

E ele não sabe escolher o tipo de roupa mais adequadapara um casamento. Ela o ajuda, dobrando as mangas da camisa que combina com os olhos dele. Ele não tem paciência com nada e ninguém. Ela o acalma e tenta fazê-lo enxergar ambos os lados da situação. Ele não sabe qual série começar a ver. Ela escolhe a que mais combina com o estilo dele e acompanha, para que os dois vejam juntos.

Eles riem juntos de piadas bestas. Eles gritam juntos no plot twist de O Sexto Sentido. Eles choram juntos com a morte de seus personagens favoritos. Eles cantam juntos as músicas dos Beatles. Eles montam juntos um avião de lego. Eles aprendem juntos a tocar um novo instrumento. Eles bebem juntos. Eles comem juntos. Eles dançam juntos. Eles saem juntos. Eles dormem juntos. Eles vivem juntos. Eles se amam juntos.

Existe casal e existe ele e ela.


Amelie Poulain

"Essa é a história de um Cara. Um Cara diferente de qualquer um que você possa ter ouvido falar. Um Cara. Aquele Cara. Esse Cara. O Cara. Sabe aquele Cara que esteve sempre ali com você? Sim, aquele Cara que fazia de você prioridade e estava sempre presente quando você precisava de alguém. Um Cara que podia mudar sua vida da maneira mais positiva possível. Um Cara que ia mostrar que a vida é mais do que apenas sobreviver.

Sabe aquele Cara que você chamava de amigo? Ele não era simplesmente seu melhor amigo, Mulher. Ele é o melhor Cara pra você. Ele é o Cara que ficava no telefone com você até às três da manhã só pra saber dos seus problemas, só pra aliviar sua dor, mesmo que isso lhe causasse dor. Só pra que a sua voz fosse a última que ele fosse ouvir naquele dia.
Mas um dia você estava presa a um outro alguém. Presa em algemas achando que fossem pulseiras, só por que estava cega por esse outro alguém. Mas esse Cara sabia que você estava se prendendo. O Cara que sempre esteve ali te conhece muito bem. O Cara. Esse Cara não desiste de você. Esse Cara toma uma iniciativa que deveria ter tomado a muito tempo: Mostrar o amor que sente, e lutar pelo seu amor, Mulher.
Mulher, você sabe o poder que tem o amor desse certo alguém, mas você não consegue imaginar o poder do amor que esse Cara pode te dar. É o tipo de amor que você não vai achar com outro alguém.
Esse Cara ainda está ai, por mais que você possa ainda não perceber que ele é o Cara que faz a diferença na sua vida agora, você vai perceber a diferença que ele faz quando ele sair da sua vida. Quando você vir o Cara que quer te fazer feliz fazendo outra pessoa mais feliz do que um certo alguém, ou melhor, um errado alguém pode te fazer, você, Mulher, vai sentir a dor que ele sentiu.
Então, Mulher, acorde enquanto é tempo. Acorde enquanto lhe resta tempo. Não deixe o Cara que vai mudar a sua vida mudar a vida de outra pessoa. Não há possibilidade de viver o extraordinário quando você aceita se algemar ao básico. O extraordinário hoje está aí, amanhã pode não mais estar."

Leo Valdez

Um casal poderia ser definido como o único encontro com quem será seu acompanhante, amor, às vezes, inimigo. Só Deus sabe quem  será seu(sua) parceiro(a).  Será quem tá sentado ao lado de você? Faça prrgunta a Deus.

A partir do dia da troca dos dois aneis, os dois continuam a compartilhar literalmente tudo que eles vão enfrentar: alegre, felicidade, esperança, paixão, aflição, desespero, e, boleto... Através da toda fase, você eventualmente descobre que o casal é um conjunto dos dois imperfeitos. Então, a realidade do casal é imperfeita? De jeito nenhum. 

O casal é dos dois imperfeitos, portanto perdoam um ao outro. 

O casal é dos dois imperfaitos, potanto precisam aum ao outro. 

O casal é dos dois imperfeitos, portanto existe o amor de Deus. 

Um casal perfeito é apenas duas pessoas imperfeitas. Ninguém poderá viver sozinho. Essa regra se deriva até do primeiro casal: Adão e Eva. Assim, a gente continua a passar legados. Você nasce com sua mãe, e morre com seu marido.

Cachorro Quente

Queremos uma xícara de café para o Instagram no domingo de manhã. Queremos colocar no Facebook que temos uma relação de forma que todos possam curtir e postar um comentário. Queremos ter alguém para ir para o brunch os domingos e comer pizza às terças-feiras. Falamos e escrevemos a traves de mensagens de texto, enviamos fotos ou vídeos pelo Snapchat. Queremos a fachada de um relacionamento, mas não queremos o esforço necessário de tê-lo. Queremos nos pegar as mãos, mas nenhum contato visual. Queremos sentir conexao com alguém o suficiente, mas não muito. Queremos nos comprometer um pouco, mas não cem por cento.

 

Os conceitos mudaram irreversivelmente. Nos relacionamentos modernos, procura-se viver o momento, sem fazer planos para o futuro e o casal tradicional deixou de ser visto como o caminho certo para a felicidade. Não queremos relações: queremos amigos com benefícios. Queremos tudo o que nos faz viver a ilusão de que temos uma relação, mas sem ter uma relação real. Queremos que todas as recompensas sem correr qualquer risco. Talvez é a falta de maturação psicológica que caracteriza a nova geração fizeram surgir novos formatos de relacionamento amoroso. São relações informais onde não existe compromisso e a felicidade não passa pelo casal tradicional, nem, em alguns casos pela partilha do mesmo espaço e das mesmas rotinas.

 

Não existe mais o olho-no-olho, o cara-a-cara e os bate-papos com proximidade. Estamos criando nova geração “conectada” e “internetizada”, mas carente de amor, carinho, respeito, obrigação e confiança em si mesmo como no passado. As pessoas se escondem por atrás de uma tela de computador, e dizendo o que querem, o que sintem, bobagens que desejam, usando a linguagem que acham ser a mais correta. Hoje, tudo é feito, produzido, veiculado virtualmente, inclusive as relaçoes.


Vascopaulo14

Onde mora o amor

Há quem diga que a cidade não é a mesma sem você. Há quem diga também que as semanas estão mais longas do que de costume e os dias mais cinzas. Há quem diga, ainda, que eu não sou mais a mesma. Você deve estar se perguntando agora quem diz isso, não é mesmo? Está bem, vou te contar. Eu digo. Eu digo porque dar uma simples caminhada a tarde com o Marley tornou-se um desafio sem você. Ele está cada vez mais forte e me puxa quando passeamos. Você prometeu comprar uma coleira mais resistente. Ele sente sua falta, sabia? Todas as noites começa a latir e vai até a janela na esperança de te ver entrando no prédio. Confesso, ele não é o único que te espera. Também te espero, mesmo sabendo que não vai voltar. Jantar fora também se tornou algo difícil, acredita? No nosso restaurante não servem prato para uma pessoa. Lá é romântico demais para ter uma noite sozinha e silenciosa, como as que eu tenho tido nos últimos meses. Outro dia o garçom, aquele garçom, o Renato, me perguntou sobre você. E o que eu respondi? Bem, eu não soube o que dizer. Acho que o pior lado da saudade é esse: não saber. Não saber se você está bem, se ainda tem aquela mania que eu detestava de dormir com a luz acesa ou se já terminou de ler aquele livro que compramos na minha livraria favorita. Você nunca gostou de ler, lembra? E, aqui, sentada nesse banco na praça tenho em minha mão um livro que você me deu. Sorrio. Sorrio porque valeu à pena. Sorrio porque não ouso mais chorar. Nada é perene. É o que dizem. Logo eu que sempre contestei tudo o que me diziam, acreditando em uma frase feita. Irônico, não? Talvez. É um grande problema quando essas frases começam a fazer sentido nas nossas vidas. A essa altura, você já deve estar bem longe daqui. Em Roma? Talvez. Penso que poderia me mandar uma foto ou, até mesmo, um cartão postal. Mas você não vai fazer isso. É só mais uma dessas coisas que eu espero que você faça, mas você não faz. Vamos voltar a falar de Roma. É uma das cidades da nossa lista de lugares para conhecer. Lembra de quando a escrevemos? Naquela noite fria, você fez um chocolate quente que eu simplesmente adorei. Adorei como tudo o que você fazia. Mas, enfim, eram tantos lugares que mal coube em uma só folha. Nós sonhávamos em conhecer tudo. Eu ainda sonho. Espero que você também. Dizem que sonhar é importante. Eu decidi acreditar em mais uma frase feita. O que há de errado comigo? Pode ser saudade. E eu, que nunca fui a menina que esperava por um príncipe encantado, o vi em você. Em você e só em você. Ainda sentada num banco qualquer, observo as pessoas passando. Vejo diversos casais. Alguns sorrindo e outros, bem, nem tanto. A questão é: tantos tipos de casais por aí. Os felizes, os que se aturam, os que se amam e os que se detestam. E eu nunca consegui definir nós dois. Acho que não há definição possível. Nenhuma palavra das milharesdo dicionário pode nos definir. Indefiníveis. Talvez seja essa a nossa palavra. Mas o que eu quero que você saiba é que vou sempre me lembrar de cada detalhe, porque é ali que mora o amor. Nunca vou me esquecer daquelas flores no meu aniversário, eu fiquei toda boba, tão feliz. Acredita que guardo uma pétala até hoje em um caderninho? Guardo nele algumas fotos nossas, bilhetes seus e saudade sua. Você me ensinou a amar e me fez crescer como mulher e eu serei eternamente grata por isso. Fomos sortudos em ter sentido amor. O que for para ser, será. Não é isso que dizem? Quem sabe um dia a gente se encontra numa dessas tardes chuvosas de janeiro, e então, você me roubaria beijos e, o mais importante, me roubaria outra vez para você.

Stella Fati