sexta-feira, 4 de outubro de 2019


1° linguagem: a dos corpos

Ele estava perto da janela, no lado esquerdo, com seu fone de ouvido no último volume (não ligava se no futuro a surdez desse match, o importante era matar o tédio daquele momento). A música que tocava ? Nem ele sabia. Isso, pois, sua concentração se voltou apenas para a pessoa que estava a cumprimentar o trocador, o mesmo ocorreu com ela, assim que atravessou a roleta e o viu. Durante alguns segundos seus olhos passaram a conversar tão intensamente que parecia não haver outra pessoa dentro do ônibus -logo, isso significaria que eu estou segurando vela- ela se sentou num banco aonde ele pudesse ver que ela o via. E mantiveram a conversa naquela linguagem.
Ele sentiu o coração acelerar, sua pulsação dizia sincronicamente: "VAI, LÁ! VAI, LÁ!", no ritmo de 150bpm. Começou a bater o pé no chão rapidamente, levantou sua bunda da cadeira mas, ligeiramente, a colocou de novo, estava só "ajeitando a calça". Ficou sério, respirou fundo e contou até 3. 1...2...3!
Colocou-se no banco no lado dela de forma tão confiante que parecia já saber o final da história, eu descreveria o sorriso de canto de boca dado por ela, quando o viu sentar-se, como um: "achei que não viria, rs". Muitas risadas, trocas de olhares, carícias leves no corpo um do outro, seus corpos falavam tanto que suas palavras não importavam mais. Com exceção de 3: minha ou sua ?
O rapaz mostrava uma confiança tão grande que conflitava com suas indecisões de mais cedo. Pegou sua chave de casa,  abriu devagar, comemorava por dentro: " É TETRA!!! É TETRA !!" mas por fora seguia pleno. Se os corpos falavam antes, agora gritavam.
Os beijos lentos só mostravam o quanto queriam aproveitar cada momento, as mãos deles passavam por cada parte de seus corpos tentando descobrir as minas escondidas na sensibilidade um do outro. Se o rapaz sentia a pele arrepiada da mulher  enquanto a  acariava, ela sentia o coração dele palpitando cada vez mais rápido quando colocava suas maos em seu peito. A roupa era tirada tão  natural e sutilmente que só perceberam sua falta quando abriam os olhos.
Até o momento que ambos os corpos se unem, os arrepios e pulsações aceleradas eram, agora, de um corpo só. Ele passou a beija-la levemente, passando por cada parte de seu corpo, até onde os suspiros dela aumentassem, chegou aos seios. Cada beijo a fazia se contorcer, mas ela devolvia essa audácia com suas unhas nas costas dele, uma punição prazerosa. Seguiam movimentos que iam se sincronizando, cada marca nas costas ele devolvia apertando seus seios até ela xinga-lo, era nesse momento que ele sabia ter acertado. Se encaixavam tão perfeitamente que parecia um sonho. 
Ela sentou em seu colo, se ajeitou lentamente, estava encaixada. Automaticamente ele agarrou seu peito e sua bunda -dali você nao sairá tão cedo- ela começou a se movimentar, gradualmente aumentando a velocidade, fazendo com que o rapaz não conseguisse segurar os gemidos de prazer com cada ida e volta que aquele mundo dava nele.
Mas ele voltou  para o planeta quando percebeu que seu ponto estava próximo. Como assim ? Ele era tímido.
Carinha que mora logo ali

4 comentários:

  1. Fiquei sem ar lendo esse texto. Primeiro porque achei de uma sorte e de um acaso absurdo se relacionar com alguém do ônibus e depois com essa quebra de expectativa, nos pondo de volta à realidade. Parabéns, ótimo texto!

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  2. Ah que bom! A intenção foi essa mesmo, gosto muito de criar um final que seja diferente do contexto criado mas que tenha uma realidade

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  3. Primeiro, adorei o título! Ele realmente é parte do seu texto e deixa o leitor curioso para ler o desenrolar da história. Você já prende a atenção de quem está lendo desde o início. A surpresa e a quebra de expectativa também funcionaram muito bem no texto. Parabéns!!

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  4. "punição prazerosa" Adorei muito essa antítese e como você escreveu seu texto.Gostei também que você descreveu muito bem os sentidos.

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