segunda-feira, 4 de julho de 2016

Tempo



Deparei-me, em um domingo a tarde,  com indagações sobre o tempo.Nosso querido Aurélio nos diz que tempo é algo que cria aos seres humanos uma noção de presente, passado e futuro.Mas creio que tal afirmação não se encaixa perfeitamente a uma definição que me satisfaça.Então, o que é tempo? 


Seu conceito não é tão fácil ,entretanto  é evidente que o tempo não para. Sinto que a minha vida é uma eterna ampulheta que a cada segundo, minuto e hora, os meus  grãos de areia são jogados em uma  imensidão chamado passado.E como esses grãos caem rápido. As futuras marcas em meu rosto, a falta de cor em meus cabelos e as mãos que poderei não reconhecer serão evidencias desse passar de tempo.Não pisque seus olhos pois ele irá passar. 


Ao som do tic tac do relógio me questiono se estou aproveitando bem esse fenômeno. Não quero chegar ao futuro e ter que começar as minhas frases com o pronome "se". Quero chegar sem arrependimentos e com aquela sensação de dever comprido. Olhar para trás e sorrir, mas não somente sorrir, quero gargalhar já que isso será a comprovação que não tenho mais compromissos com o passado e que tudo que eu vivi foi vivido. 


O tempo é irônico. A cada dia, por exemplo, temos as mesmas 24 horas, todavia parece que cada ser tem o seu próprio tempo.Uns reclamam pela sua falta outros pela sua sobra...Engraçado como as pessoas sempre buscam controlar .Acredito que esse estranho elemento não pode ser simplesmente controlado, ele  flui. E não me venha com aquela ladainha de tempo perdido ... 


Note também que o tempo não só serve para ser contado.Entre as suas múltiplas funções, ele é capaz de curar e de fazer esquecer.Acho que um dos grandes favores que o tempo nos dá é esse, de nos fazer esquecer.Dores,rancores, sofrimentos e angustias  se desmancham a cada dia.Mas fique calmo, por mais que poderoso, o tempo não apaga os olhares apaixonados, os sorrisos sinceros, os dias de verão ... 


O destino também é afetado por esse evento magnifico.Sabe aquele minuto? Melhor, aquele segundo que talvez tenha sido o segundo da sua vida? Ou que tenha salvado a sua vida? Então, um dos artifícios do tempo é  ser o compositor de destinos. 


Mas afinal, o que é tempo? Por mais que eu tenha passado a tarde me questionando e buscando definições, o tempo é algo relativo. Um elemento tão majestoso capaz de implicar em vários fatores da nossas vida  e que, por sua vez, não pertence a uma única definição. Creio, que no final de tudo, quem define o que é tempo não são os dicionários e  textos científicos mas sim, cada um de nos. 


Entretanto, talvez a pergunta não tenha que ser  "o que é tempo?" mas sim, "o que o tempo tem feito por nós?" . Definitivamente, as perguntas que movem o mundo.Então caro leitor, o que o passar de tempo tem feito por você? 

 


 

H. Machado 


O que eu quero

 

Não quero mais ser uma distração. Não quero ser um adeus e nem uma conversa no bar da esquina. Não quero ser tempo perdido. Quero me reencontrar. Quero sair por aí, fazer uma viagem demorada e mandar cartões postais. Quero me apaixonar por sorrisos, lugares e sensações. Quero pintar o cabelo e fazer uma tatuagem. Quero ir ao show da minha banda favorita. Quero levar uma foto sua e receber uma mensagem do seu número dizendo que sente minha falta. Quero que vá me encontrar aonde quer que eu esteja. Quero que fique, que me deixe ficar. Quero sentir amor na minha pele e no meu corpo inteiro. Quero que seja meu passado e meu futuro. Quero que não desista e que não me deixe desistir. Quero que me dê motivos para ficar. Quero que compremos um motorhome para continuar essa viagem pelo mundo. Quero fazer outra tatuagem na beira da estrada com você. Quero que procuremos pelo pôr do sol em um dia nublado. Quero que me encontre para que eu me reencontre. Quero me apaixonar pelos seus sorridos, pelos nossos lugares e pela sensação de viajar. Quero explorar cada pedacinho desse mundo com olhares curiosos e encantados. Quero ver o que de mais bonito a vida tem para me dar. Quero um sorriso em cada esquina e uma poesia recitada na mesa de bar. Quero ser tempo esperado, minutos contados no relógio e um beijo no final do dia.  Quero chegadas, não despedidas. Quero amor, não distâncias. 

Stella Fati

Nunca soube ao certo que critérios classificam uma ação como preconceituosa. Na minha ingenuidade, eu acreditava que o preconceito fosse expresso apenas através de ofensas, comentários maliciosos e olhares mal-encarados, mas de uns tempos para cá estive observando – observando as nossas atitudes enquanto sociedade e indivíduos em meio ao nosso corrido dia-a-dia.

Por exemplo, uma amiga minha, enquanto me contava uma história sobre seu professor de Matemática, sentiu a desnecessária necessidade de apontar o fato de ele ser gay. Minha mente gelou em incompreensão – por que me falar a orientação sexual dele? (Não, aquela informação não adicionou nada à história que me estava sendo dita.) Só algumas horas depois eu chegaria à conclusão de que, naquele instante, eu havia achado aquele comentário preconceituoso. Entretanto, minha amiga não o insultara – ela só chamara seu professor de gay, então por que isso me incomodou tanto? Chamar alguém de gay é ofensa? A palavra gay não é um insulto; nem sequer palavrão é. Né?

Outra vez, surpreendi-me ao descobrir que o mais novo single da minha banda favorita havia sido censurado num programa de televisão por apresentar conteúdo racista. Como qualquer fã, varri a Internet em busca da letra (supostamente) racista e, ao encontrá-la, confusão tomou-me por completo: onde estavam os versos ofensivos à la KKK? O máximo que eu achara foi uma breve menção a negros ("negros te liderarão feito Barack Obama") – a isso que se referia o tal "conteúdo racista"? Levando em consideração o contexto, não havia nada chocante ou ultrajante naquele verso – o compositor o escrevera apenas para dar harmonia ao rap, grande coisa. Então por que chamar um negro de negro poderia ser considerada uma atitude racista? Afinal, um negro não é negro?

Com isso lembro-me dos comentários aleatórios feitos pela minha mãe na minha infância (e que, notei apenas durante minha contemplativa adolescência, na verdade são valiosos ensinamentos de vida). Aos olhos dela, qualquer palavra, por mais inofensiva que seja, proferida com a intenção de insulto é mais ácida do que o mais cabeludo dos palavrões. Sim, chamar um negro de negro ou um gay de gay pode ser extremamente ofensivo – o veneno não está presente na palavra em si, e sim na fala descuidada. Nas ações alienadas. Na mentalidade ignorante

Preconceito é mais do que xingar – é tomar como verdade para si todos aqueles estúpidos estereótipos baseados em cor de pele, em nacionalidade, em gênero, em sexualidade. Todo negro é bandido. Toda brasileira é fácil. Toda mulher dirige mal. Todo gay é "feminino". E no Brasil, o país que se vende intencionalmente com o rótulo de ser receptivo a todo tipo de gente, observa-se que (ironicamente) nosso povo não tem vergonha em exteriorizar esses pensamentos equivocados. E é bem simples comprovar isso – diga-me você: quantas vezes presenciou alguém censurar um colega por fazer um comentário homofóbico?

Entretanto, da mesma forma que esses indivíduos alheios não hesitam em expressar seu preconceito, as pessoas conscientes também deveriam se manifestar. A partir do momento em que você se mantém em silêncio, você está corroborando todos esses ideais ignorantes.

Da próxima vez, censure a piada machista do seu "colega". Faça a sua parte.

Cora

Certidão de óbito

REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

REGISTRO CIVIL DAS PESSOAS NATURAIS

 

CERTIDÃO DE ÓBITO

NOME

**DEMOCRACIA**

MATRÍCULA

**2014 2 13 54 501 118 45 51 041 155**

 

Certifico que sob nº 11 às fls. 08 de registro de óbitos, encontra-se o assento daDEMOCRACIA BRASILEIRA, falecida aos 17 de abril de 2016, às 23h08min, na Câmara dos Deputados, em Brasília. A falecida não trajava roupas, estava nua. Residente oficialmente em Brasília, mas presente em todo o país. Era casada com o povo brasileiro.

Foram declarantes 367 deputados e milhões de coxinhas, atestando o óbito firmado pelo chefe Eduardo Cunha, que deu como “causa mortis” improbidade administrativa, falência múltipla dos órgãos ocasionada por um golpe de direita, além do Vírus PMDB que impossibilita, imobiliza e mata aos poucos. A causa foi agravada pela mordida do Conde Drácula, causando inflamação e hematomas no pescoço.

O sepultamento foi realizado no Palácio do Planalto, devido ao adiantado estado de degradação do cadáver, face aos momentos finais vividos com muito sacrifício e sofrimento, causado pela doença anteriormente relatada, que por vezes levou a infeliz à UTI, entre a vida e a morte.

De inventário deixou seu legado e vários seguidores.

O referido é verdade, e choro, com muita tristeza.

Brasília, 17 de abril de 2016


Régis Júnior


Algo aqui me soa familiar


Boa noite a todos! Hoje vou contar-lhes um pouco da minha história. Meu nome é Léo Valdez. Eu era um simples estudante de Universidade. Típico nerd, tímido e apaixonado por uma menina chamada Mônica. Até que um dia tudo mudou. Estava voltando para casa até que avistei uma caixa muito estranha no chão. Parecia a caixa de Pandora. Como bom curioso, resolvi abrir. Foi então que dela saiu uma aranha, pulando diretamente no meu pescoço e me picando. Comecei a me sentir estranho, mas segui meu trajeto. Chegando a casa, nem cumprimentei meu tio Severo P. e minha tia Maria Antonieta. Subi as escadas, fui para o quarto e apaguei na cama.             

Depois de algumas horas de sono, acordei ainda um pouco atordoado, mas a fome era tão grande que a dor ficou em segundo plano. Meio irritado, gritei pedindo para que minha tia ligasse para a barraca do Régis Júnior e solicitasse a entrega de um Cachorro Quente para mim. Ela não gostou nem um pouco do meu Tom e, consequentemente, não acatou o meu pedido. Resolvi, então, eu mesmo fazê-lo. Fui escovar os dentes, mas algo estranho aconteceu: Comecei a soltar teias pelo pulso. Achei incrível minha nova habilidade.

Após uma semana controlando melhor os meus poderes, resolvi aproveitar e entrar num campeonato de luta que estava tendo na região para tentar arrumar uma grana pra ajudar nas altas despesas da casa. Meu tio me levou até o local onde aconteceriam os combates e me disse uma frase na qual eu jamais esqueceria: Ganhe essa parada! Na hora do evento, sortearam-se quais duplas iriam se enfrentar: Spencer Reid x Melissa C.VascoPaulo14 x Stella FatiAmelie Poulain  x Lucy in The Sky e, por fim, eu(Léo Valdez) x Lia Mendes. Eram confrontos entre ambos os sexos mesmo. O juiz Dante Lemos fez sinal e autorizou o inicio da primeira luta. As ring girls Helena Machado e Helena Seixas iam desfilando pelo tablado, round após round. 

Ao final de todas as lutas, fui o grande campeão. Posteriormente à conquista, pediram para que eu me dirigisse para a sala do organizador da competição. Chegando lá, deparei-me com um velho de bigode e com um humor nada bom. Aquele quadro de Frida Kahlo com a cara fechada atrás dele deixava o ambiente ainda mais tenso. O senhor, cujo nome era Chris, começou falando que eu lembrava muito um rapaz que havia passado pelo local há algumas semanas, chamado Peter Parker. Em seguida, disse que me pagaria apenas metade do combinado. Tentei questionar aquela atitude e ele disse que não era problema dele. Naquele momento, entendi porque todo mundo odeia o Chris. Por ironia do destino ou não, um assaltante (conhecido na região como Maleficent000) invadiu o prédio e roubou o dono do lugar. Malandramente, ajudei o tal bandido a fugir para que aquele velho muquirana saísse prejudicado. 

Para o meu azar, o meliante acabou se desentendendo com meu tio na saída, assassinando-o a sangue frio. Uma mistura de culpa, tristeza e ódio me consumia. Saí andando desolado pelas ruas debaixo de uma forte chuva. Aquele saxofone tocado na calçada por Simone me deixava ainda pior. Continuando minha caminhada, avistei minha amada Mônica, fã assumida do Legião Urbana, se despedindo de suas amigas da faculdade Cora e Valentina e seguindo sozinha para um beco deserto. Percebi que um grupo de homens a olhou estranhamente e começou a persegui-la. Tive que tomar alguma atitude. Coloquei meu conhecido traje de aranha e ataquei aqueles caras. Como recompensa, ganhei um beijo dela na chuva no meio do beco. O restante da história todos já sabem né. O Duende Verde que me aguardasse...

                                                                                    Júnior West 

O alarme do carro.


Tenho que dormir. Se eu dormir agora vou ter exatamente 4 horas e 23 minutos de sono. Mas eu não vou conseguir dormir agora. Tenho muita coisa para fazer. Tenho que fazer aquele trabalho. E assistir aquele filme. E pagar aquele dinheiro para aquela pessoa. Tenho que lembrar de comer melhor amanhã, estou muito gorda e estou cada vez menos saudável. Meu deus, eu sou o oposto de saudável agora. Tenho que dormir.

Fui diagnosticada com Transtorno de Ansiedade Generalizada aos 15 anos, mas não precisava de nenhum diagnostico para saber disso. Não lembro quando começou, caso você esteja se perguntando – muitos médicos já perguntaram -, acho que nasci assim. Nunca me achei estranha por isso. Pelo contrário, sempre achei que os outros fossem os estranhos. Como eles conseguiam manter a calma em um mundo desse jeito? Demorei algum tempo para perceber que sentir uma falta de ar quase constante, coração acelerado sem motivo, suar frio e sentir ondas muito fortes de calor do nada, não eram coisas consideradas normais. Mas o mais importante: existia uma vida sem esses sintomas. Quando descobri que era possível não ter medo, nem sentir seu corpo todo se preparando para se defender – quando não tem absolutamente nenhum perigo à vista – toda vez que chegava a hora de sair de casa, quis ter isso. 

Ansiedade é como uma conhecida inconveniente, que chega na sua casa do nada e diz que vai passar um tempo lá. Às vezes a abusada até recebe visitas! Ela é muito próxima do Pânico e da Depressão, disse que não poderia ficar sem ver eles. Então todos, Ansiedade, Pânico e Depressão, ficam no seu lar, sem convite, se divertindo. Os amigos vão e voltam. Mas a Ansiedade nunca vai.

Muitos me perguntam como é uma crise, já que, teoricamente, ansiedade é algo que todos têm e até faz bem, em doses homeopáticas. Então, qual é a diferença desse sentimento para o transtorno em si? Bom, é normal se sentir nervoso e apreensivo antes de algo importante. Suar frio e se sentir enjoado antes de uma prova. O transtorno, para mim, é como um carro que dispara o alarme – em alto e bom som – no meio da madrugada, sem que ninguém tenha tentado roubá-lo, atrapalhando a vizinhança toda. Só que o carro é meu cérebro e os vizinhos sou eu. Ele toca, toca, toca infinitamente aquela musiquinha. Você sabe qual música eu estou falando. Você não consegue dormir, não consegue pensar direito, se estressa. “POR QUE diabos ele está tocando?”, você se pergunta. Também não sei. Mas o que sempre me tranquiliza é: não importa o quanto o alarme insista em tocar, alguém sempre aparece para desliga-lo. 

Helena Seixas

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Um golpe desses não foi fácil esquecer. Lembro do amanhecer daquele domingo, o dia estava ensolarado, poucas nuvens no céu, ótimo para pegar uma praia. Eu estava na pensão, na sala, assistindo televisão. Tudo indicava uma reviravolta drástica para a maioria da população brasileira. 

Quando saí de casa minha mãe me encheu de conselhos, bons e ruins, disse que a nova vida na cidade grande seria complicada e ela não poderia estar mais certa. Ser aceita no mercado de trabalho não foi fácil, a crise era a culpada pelo número de pessoas desempregadas que habitavam os quartos e as ruas mais sujas da grande São Paulo.

Naquele domingo eu estava de folga. Havia pensado em sair e conhecer a cidade, mas com a iminência do golpe preferi ficar em casa e assistir os que decidiriam o futuro do país. Foram seis horas de puro horror. Xingamentos, gritarias e pequenos ‘shows’ protagonizados pelos políticos do Brasil. A câmara se tornou um palco de barbaridades. 

Com a aproximação do 342º voto a tristeza foi me consumindo. Já era clara a vitória dos ‘a favor’, mas eu preferia não acreditar. Me levantei e fui para o meu quarto arrumar a minha mala com a pior das expectativas para o dia seguinte. 

Nos meus sonhos houve uma reviravolta na votação e o golpe foi barrado, mas ao acordar descobri que esse sonho estava longe de ser real. No trabalho o clima era tenso, a empresa ia mal das pernas e há semanas ocorriam demissões inesperadas de funcionários novos e antigos. Quando Sr. José chegou e pediu que eu fosse em sua sala já esperava o pior. E aconteceu.

Hoje, 25/04/2016, estou chegando em casa depois de longos anos fora. A cidade não é mais a mesma, as pessoas não são mais as mesmas e eu não sou a mesma. Sofri um golpe, ou dois, ou três não consegui contar. Mas, o que mais doeu foi o que sofri com todos os brasileiros.


Mônica do Legião