segunda-feira, 13 de junho de 2016

Frustrada e amada


Foi rápido. Uma hora depois de sair daquela boate eu estava abrindo a porta do meu apartamento. Não estava nos meus melhores dias. O trabalho estava me consumindo muito mais do que o esperado, a faculdade me tomava todas as horas restantes do meu dia e tinha você. Quando mandei a mensagem esperava um encontro casual, uns copos de cerveja, uma música baixa de fundo e logo depois o seu apartamento. Talvez eu não esperasse um encontro tão casual assim, mas o que realmente me importa é que agora estou acompanhada por uma garrafa de vinho no chão da sala.

Frustração. A palavra da noite não podia ser diferente. Quando te encontrei no bar consegui esquecer um pouco os problemas, o primeiro beijo da noite apagou a memória da quantidade de papéis que analisarei amanhã e a despedida... Essa trouxe tudo novamente. Não consigo entender os olhares, os cochichos e as encaradas que recebi na boate. Não entendo porque o meu amor não é suficiente para sermos felizes. Recapitulando tudo que vivemos esse amor devia valer muito mais.

O primeiro encontro em um elevador sujo. O segundo na festa da Patrícia trouxe o nosso primeiro beijo que também foi o meu primeiro beijo. O terceiro foi no seu apartamento, consigo me lembrar de todos os detalhes daquela noite, o macarrão frio, o vinho quente e o seu sofá aconchegante que nos abraçou durante toda a noite, a manhã seguinte e a nossa pequena caça às peças de roupa, o café da manhã na padaria da esquina, o beijo de despedida e todos os olhares que recebemos.

Depois vieram uma sucessão de encontros, beijos e transas que recordo com carinho. Foram três anos que se passaram em três semanas de encontros e desencontros. Agora tenho a certeza que valeu ter te conhecido, valeu ter te amado, valeu ter enfrentado na rua mil olhares preconceituosos por onde passássemos, valeu ter descoberto cada dia uma coisa diferente, valeu ter vivido ao seu lado. Não somos apenas duas mulheres, somos duas que se amam, se amavam e ainda se amarão.

 

Mônica do Legião

É diferente


     Qual a diferença entre amor e sexo ? É simples. O sexo é momento, é intenso, é vontade que dá na hora. O amor é inesquecível, é calmo e intenso ao mesmo tempo, é prazeroso, é eterno. É por isso que vou contar a noite de amor que tive e que jamais esqueci.
     Era um sábado, meus pais haviam viajado e tudo já estava combinado pra eu e meu namorado termos nossa noite juntos. Dois anos de namoro e ainda não havíamos feito sexo. Pra muitos isso parece estranho, diferente, até mesmo um atraso. “Como assim você ainda é virgem ?”, “Dois anos juntos e ainda não fizeram nada ?”. Cansei de ouvir essas perguntas e ignorá-las com sucesso, pois eu sabia que ia rolar no dia certo e que seria inesquecível. E estava certa.
     E o meu namorado ? Sim, ele era um Príncipe. Nunca me forçou a nada, sempre foi compreensivo e pensava como eu, que o sexo deveria ser algo inesquecível, ainda mais se tratando da primeira vez dos dois. Naquela noite, ele foi até minha casa e a primeira coisa que ele disse foi “Eu te amo, minha pequena. E independente do que aconteça hoje, isso não vai mudar”. Depois disso, ele deu um beijo na minha testa e ficou me olhando, sem falar mais nada. 
     Naquela hora, eu só sabia sorrir e olhar pra ele de volta, não tinha palavras. Aquilo me deixou tão tranquila e só me fez confiar ainda mais nele e ter certeza que aquele era o momento. Aquela era nossa noite. E foi. Tudo rolou exatamente como eu e ele, eu acho, tínhamos imaginado. Estávamos deitados, um olhando pro outro, novamente trocando apenas sorrisos. 
     Mesmo sem nunca ter feito sexo antes, eu tinha certeza de que tínhamos feito mais do que isso, certeza de que aquela noite jamais seria esquecida, certeza de que aquele momento havia sido o mais prazeroso da minha vida, certeza de que havia sido amor. Valeu esperar. Ou melhor, esperar não. Fazer no momento certo. 

Severo P.

Sem Nexo Nem Sexo


– Papai, por que a mamãe é frágil?

– O quê? Onde você ouviu isso?

– Na televisão. "Mulher, o sexo frágil." Mamãe é mulher, né? Ela não é que nem as meninas da minha escola. Ela é gente grande.

– ...

– Ela é sim ou não?

– É o quê?

– Frágil.

– Isso é... É complicado.

– Complicado?

– É, difícil.

– Mas por quê, papai?

– Porque sim.

– Porque sim não é resposta, papai. Mamãe diz isso o tempo todo pra mim. Me diz aí, por que a mamãe é frágil?

– ...Você vai entender quando for mais velho.

– Não, eu não vou entender, não. Mamãe sai pra trabalhar que nem você, volta tarde pra casa e ainda faz a janta, arruma a casa, lava a louça e me ajuda com o dever de casa. Ah! Ela também acorda mega cedo pra me arrumar pra escola e fazer o café da manhã. Como a mamãe pode ser frágil se ela faz tudo isso todo dia?

– Ela não é frágil de verdade, é só que os homens têm o costume de chamar as mulheres disso.

– Homens tipo você? Por que você chama a mamãe de frágil, papai? Eu vou chamar as meninas da minha escola de frágeis quando eu for grande feito você? Eu não quero fazer isso porque elas não são frágeis e mamãe diz que mentir é feio. Maria me acertou com uma bola outro dia e doeu pra caraca. Isso quer dizer que ela é forte, então ela não pode ser frágil, né?

– Ninguém nunca vai te obrigar a chamar as mulheres de frágeis.

– Ué, então por que você chama a mamãe assim, papai?

– Quando eu disse que os homens chamam as mulheres de frágeis, eu não estava me incluindo; apenas uma maioria deles fala isso. Foi só uma generalização.

– Generalização? O que é isso?

– É considerar todo mundo como uma coisa sendo que todo mundo é diferente um do outro, então isso é errado.

– ...Oi?

– É tipo dizer que todo cara gosta de futebol, sabe?

– Mas, papai, eu não gosto de futebol. Isso quer dizer que eu não sou um "cara"?

– Não, não, não. Não tem problema nenhum em não gostar de futebol, filho, isso é normal. Por isso que eu disse que generalizações são erradas, entendeu?

– Aaah, agora eu entendi. Então na verdade a mulher não é sexo frágil, né? A mamãe é forte?

– Exatamente.

– Que bom, porque aí ela não precisa da nossa ajuda com as tarefas de casa.


Cora

O sono pesado


 

“Alberto, espera. Aqui, não. Alguém pode ver.”

 

“Vamos para o bar.”

 

“Eu moro aqui. Todo mundo me conhece, conhece meu marido. Não.”

 

“Então… Onde?”

 

“Alberto, você é um homem destemido?”

 

“Você não faz idéia.”

 

“Então vem comigo.”

 

Ela o pegou pela mão e o puxou. Pararam em frente ao prédio. A adrenalina a 

lavou. Tentou enxergar o porteiro através do vidro, mas a película escura deixava 

muito escuro dentro do prédio.

 

“Espere aqui um pouco.”

 

Com cuidado, abriu a porta de vidro. Um ronco reverberou pelo saguão: o porteiro 

ainda dormia. Com um gesto, chamou Alberto para entrar.

 

“Silêncio, agora.”

 

Com todo cuidado necessário, delicadamente, chegaram até o elevador. Alberto não 

estava entendendo direito o que acontecia, mas entrou no jogo.

 

“Onde a gente está indo?”

 

Ela sorriu.

 

“Calma. Você vai gostar, tenho certeza.”

 

Chegaram ao andar dela. A luz do corredor se acendeu enquanto a porta do 

elevador se fechava atrás deles. Ela deu um rápido beijo nos lábios dele, tirou a 

chave do bolso e encaixou na porta.

 

“Com todo cuidado agora, ok?”

 

Ele assentiu em silêncio.

 

Ela entrou em casa seguida por Alberto. Calmamente, fechou a porta. Alberto estava 

parado, um pouco assustado, conforme seus olhos demonstravam. Ela o levou até a 

cozinha e encostou a porta que a separa da sala. Sentia o coração na boca. O medo 

deixa tudo mais gostoso.

 

“Eu moro aqui. Meu marido tem o sono pesado, não acorda nunca, para nada.”

 

 VascoPaulo14

Não foi dessa vez


 

Era 26 de novembro, uma tarde amena, típica de primavera e lá estávamos eu e ela. Passamos horas sentados na sua cama conversando sobre a vida, sobre nossos desejos, sobre as viagens que queríamos fazer, sobre os planos dela para o vestibular – e como aquela menina pensava nisso. Confesso que na maior parte do tempo nem prestei muita atenção no que ela falava. Meus olhos estavam focados no rosto dela; nos olhos que brilhavam ao falar do futuro que a esperava, no sorriso bobo que vinha após uma piada sem graça. Meu Deus, como ela era linda! Eu amava tudo nela. Analisando seu rosto novamente, parei o olhar na sua boca. Não consegui me controlar e, no meio de uma frase dela, a beijei de repente. Ela teve uma reação de surpresa, mas não recuou e nem nada parecido. Ela correspondeu com a mesma intensidade e se entregou àquele sentimento tanto quanto eu. Eu a abracei fortemente, segurei em seus cabelos e partir daí toda a minha racionalidade foi embora. Nossas roupas foram tiradas rapidamente. Minha mão deslizava pelas suas curvas perfeitas enquanto as dela se agarravam firmemente as minhas costas. Pernas entrelaçadas, força nos movimentos, corpos suados e grudados e beijos intensos entre algumas frases soltas. Fui envolvido por uma onda de paixão incontrolável que me fez esquecer que eu precisava ter toda a calma do mundo naquele momento tão especial para ela – e para mim. Ela pediu para que eu fosse mais devagar, mas eu infelizmente não a ouvi de primeira. Dez segundos depois, eu foquei em seu rosto e havia uma expressão de dor que me fez travar na hora. Instintivamente, sai de cima dela e me sentei na beira da cama, de perfil para ela. Meu coração doeu, eu abaixei a cabeça e uma lágrima escorreu por pensar que tinha machucado a minha menina ou feito algum mal a ela. A olhei e ela deu um sorriso de canto de boca, secou minha lágrima e disse que estava tudo bem. Sem dizer nada, deitou, me puxou para o seu lado e se aconchegou no meu abraço, fechando os olhos e suspirando com toda calma e pureza do mundo. Eu não sabia muito bem o que dizer, mas me entreguei àquela serenidade e também fechei os olhos tendo uma única certeza: queria morar naquele abraço. 

 

Spencer Reid

Mãe, dei pro Catra


Existe um ditado de que a primeira vez a gente nunca esquece. Hoje, posso dizer que isso realmente é verdade. Eu era uma jovem de uns 20 e poucos anos e ainda me lembro do dia em questão. Estava no trabalho e parecia um dia como outro qualquer até que um homem apareceu. Não era um cara qualquer. Alto, pele negra, sorriso encantador... Enfim, perfeito. Ainda seria candidato na próxima competição para mister universo. Chamavam-no de Mr. Catra. Senti que ele me olhava diferente. Conversamos por alguns minutos até o momento no qual ele me convidou para sair na noite do mesmo dia.

Comecei a me arrumar cedo. Precisava estar impecável. Ele quis me levar até um restaurante onde era conhecido por todos. Chegando lá, fomos recepcionados com gritos de “uh uh papai chegou”. Realmente era um cara muito respeitado. Entretanto, nosso encontro foi marcado por um problema: A comida do local estava péssima e, por isso, comemos muito pouco. Por outro lado, Catra tornou insignificante essa dificuldade com suas piadas e com aquela risada que não sai da cabeça.

Exatamente por isso estava sentindo como se algo me dissesse que a nossa noite não deveria acabar ali. O mister, então, resolveu me levar para um motel. Disse que era apenas para que descansássemos, mas nós dois sabíamos o que iria acontecer. Sentia aquele friozinho na barriga normal para quem nunca fez nada do tipo. Eu olhava aflita para o rosto daquele lindo homem e, vendo o meu nervosismo, ele brincou dizendo “tá me olhando é porque quer me dar”. 

O tempo foi passando e acabou acontecendo. Foi tão natural. Acariciava a minha pele. Tirei o salto alto e ele os tênis. Ele pediu para que eu colocasse um avental daqueles de cozinha. Disse que era fetiche. Não vi problemas em fazê-lo. O resto não é preciso detalhar, né? Sim, dei para o Catra. 

Enfim, sei que a sociedade tende a julgar garotas que dão logo no primeiro encontro, mas ele me parecia o cara certo. Tinha um perfil de bom marido. Sem dúvida, com ele jamais rolaria qualquer tipo de adultério. Além disso, dava a impressão de que seria um excelente pai. Poderia ter mais de 30 filhos que, com certeza, cuidaria e daria amor para todos de forma igual.

A pior parte foi contar o ocorrido para minha mãe. Apesar de temer a reação dela, eu não podia omitir o que aconteceu. De cara já falei com toda a segurança do mundo: “Mãe, dei pro Catra”. Para minha surpresa, a reação dela foi boa. Só ficou bastante curiosa. Pediu os detalhes. Então, eu falei:

- “Ah mãe, claro que quando a gente dá pela primeira vez, sentimos uma mistura de sensações, com alívio de um lado e aflição de outro. Entretanto, ele me tratou como uma princesa. Senti que era necessário. Afinal, ele já tinha gastado uma fortuna naquele jantar e pediu para que eu desse o dinheiro para que comprássemos os ingredientes para fazer pizza. Nunca tinha feito nada parecido. Dar dinheiro para um homem que conhecia há pouco tempo não foi nem um pouco fácil. Ainda assim eu dei pro Catra o dinheiro da pizza.”

Ademais, ele se propôs a pagar o valor da diária no motel para que não incomodássemos os meus pais ou os dele. Aquela noite foi incrível. Sendo assim, se você ainda não teve a sua primeira vez, fique tranquilo(a) que irá acontecer na hora certa. Não se pode negar que é difícil para que nunca o fez, porém vale a pena você dar dinheiro nesse tipo de situação para que você possa passar uma noite agradável. Deixo claro, por fim, que a pizza estava ótima também.

                                                                                         Júnior West

Homofóbico, pero no mucho


Depois de uns meses na escola, já podia dizer que conhecia todo mundo, sabia posição política, religião e diretrizes da maioria, inclusive o Rafael. Sempre com sua camisa polo, cabelo pompadour e óculos escuros da Chili Beans. Lembro-me que conversávamos sobre esportes, quase todos os dias: Brasileirão e NFL, principalmente. Mas como não dá pra se falar o tempo todo sobre futebol, conversávamos sobre temas diversos também: política, mulheres, sexo e outras coisas triviais.

 Nessas conversas que o conheci de verdade, nunca vi alguém tão homofóbico e machista como ele, não podia ver um gay na rua que começava com as piadinhas e xingamentos: “Olha lá o baitolinha! Queima-rosca! Essa Coca é Fanta!”. Ou então quando alguma garota mais protuberante passava por nós, ele começava: “Nossa que mina gostosa. Se eu pego, quebro no meio”. Isso sem contar as opiniões misóginas como a de mulher deve ficar em casa (por incrível que pareça ele tinha namorada), gays não podem ficar em público ou quando falava das feministas como “feminazis”. Até o advertia sobre isso: “Pô, cara, você deveria parar de tratar mulher assim, isso é assédio!”, mas sem muito sucesso. Não importava o que dizia, ele não tava nem aí ou dizia: “É isso mesmo, mulherada gosta que mexam com elas na rua, infla o ego, se liga”. Pois é, me liguei, já estávamos no semestre final do terceiro ano mesmo, vou me afastar desse cara e dessas ideias malucas dele, eu hein?

Acho que mais ou menos um ano depois, acabei encontrando Paula – namorada do Rafael – no meio do shopping. Não tinha intimidade com ela, mas ela veio puxar assunto comigo, queria colocar o papo em dia, saber como estava, essas trivialidades, até que eu perguntei do Rafael, apesar de tudo não guardava ressentimento dele, era uma boa pessoa. Dali em diante ela me abraçou e começou a chorar. Sem entender nada, perguntei o porquê daquilo. Com a voz esganiçada, resumidamente ela me explicou que ele tinha a traído (novidade né?), mas para surpresa geral da nação não tinha sido com uma mulher e sim com um homem. “Mas logo ele, com aquela pose de ‘machão’ lhe traiu com um homem? Qual a razão disso?” – perguntei. “Vou te contar tudo, senta aí”- respondeu.

Resumindo a história, Rafael descobriu depois de uma noite de sexo com sua namorada o prazer anal. Sim, após tamanha insistência de sua namorada para colocar alguns dedos no seu ânus (melhor dizer cu, né?), ele aceitou e dali não parou mais. E então pensou: Por que não deveria ao invés de apenas dedos sair com alguém que pusesse algo maior? Dali conheceu Alexandre, o Frota. E nessa quem perdeu foi Paula. Coitada.

 Como diria minha saudosa vovó e como o próprio Rafael ousou dizer uma vez: Essa Coca era realmente Fanta.

 

Régis Jr.