Meus olhos observando-o hesitam em piscar. Nossas sombras criadas por um pôr do sol em um céu escarlate se unem em um abraço. Acima de nós algumas estrelas - que ele tanto gosta - cintilam de forma tímida. Em momentos assim, em que a leve brisa refresca nossos rostos e bagunçam nossos cabelos, que penso no quanto eu o amo e tenho sorte por tê-lo ao meu lado.
Através de seus olhos, que muitos dizem ser os espelhos da alma, consigo ver a ternura, a verdade e o amor em sua forma mais bela. E é em tudo isso que penso enquanto minhas bochechas coram e nossos lábios se unem em um beijo lento e caloroso.
Penso que eu não o amo simplesmente, mas que também amo amá-lo. Que é no momento em que ele diz que me ama, que é quando eu o quero ainda mais. Que se eu pudesse, ficaria nos olhando o tempo todo, como se fosse um espelho. E que mesmo quando estávamos afastados por este mesmo vidro, permaneceu paralelo, do outro lado.
Como eu poderia viver sem ele? Se é a primeira coisa em que penso ao acordar e a última ao fim da noite? Se apenas a proximidade de sua chegada me deixa sem ar? Como deixar de ter aquele sorriso doce ou a expressão de encantado depois de um longo tempo sem nos vermos? Como posso deixar de ansiar em tê-lo por todos os dias das nossas vidas? Deixar quem tornou os últimos cinco anos os mais incríveis e especiais possíveis? Que me ensinou a lutar pelo o que acredito e quero para o futuro? De só de pensar em perdê-lo faz com que meus olhos fiquem marejados? De não ter mais alguém que me faz o amar tanto a ponto de doer?
Nossas mãos se entrelaçam e colamos nossas testas. O sol já se pôs e as estrelas agora brilham tão intensamente quanto um reflexo. E é diante delas que sussurro, você é o amor da minha vida.
Mesmo que este vidro ainda continue nos afastando um pouco, ainda estarei aqui até que ele se despedace e possamos finalmente nos tornar dois reflexos em um.
Por Safira Audittore.
