Nos últimos meses um estranho sentimento tem invadido meu peito. Uma nostalgia forte e agradável de início, mas que gradativamente tem se transformado em luto.
Mesmo sendo avisado por todos durante minha adolescência de sua chegada, a dor da perda de uma época mais simples e feliz é mais profunda e cruel do que pensava. Silenciosamente ocupando lugares cada vez maiores no meu coração, ela vem principalmente nos meus dias mais esgotantes e sombrios, como um impactante lembrete martelando duas poderosas palavras no meu crânio: “Você cresceu”.
É verdade que a maioridade traz suas liberdades e vantagens, mas por vezes o preço por essas regalias parece ser alto demais. Estranho ficar de acordo com a ideia de que serei constantemente pressionado a entregar meu melhor, sempre, sem espaço para erros. Afinal, é isso que esperam de um adulto, a ingenuidade e idade já não podem mais serem usadas como desculpas.
Entretanto, o que mais sentirei falta escolhi deixar por último. Alguns resquícios que espero levar comigo, em todas minhas versões perdidas pelo tempo.
Seu sorriso, o mais puro e honesto que já vi.
Seu choro, algo tão cru e vigoroso, capaz de sensibilizar os mais frios corações.
Seu ânimo, facilmente impulsionado até pelas coisas frugais (e importantes) da vida.
Sua confiança, que ninguém e nenhuma situação foi capaz de abalar.
A você, deixo meu mais sincero “obrigado”. Vá em paz, mas por favor, volte de vez em quando para me reerguer.
Just try to never grow up.
Nils Sjöberg