quinta-feira, 11 de novembro de 2021

O amor que me foi tirado

                                                           O amor que me foi tirado 

A necessidade do ser humano, mesmo que inconsciente, é ser amado e aceito, principalmente por aqueles que lhe deram a arte de viver. E se justamente uma dessas pessoas escolhesse ir embora? Não por uma circunstância da vida ou tragédia, mas sim por escolha. O indivíduo que deveria te apresentar o amor e dar afeto, tomou a decisão de partir sem motivo algum e sem aviso prévio. Agora está feito. O amor me foi tirado e o café sem açúcar não me parece mais amargo... Ou devo dizer que agora ficou amargo até demais?  

No final das contas, eu fiquei boa até demais em despedidas... Por sua causa. O coração até tenta receber visitas, mas o cérebro aciona o alarme, que impede qualquer um de acessar a parte que um dia, quem deveria me amar e criar, abandonou. Você é no máximo para mim uma lenda urbana e um nome na identidade. Nada além disso.  

 

  • - Lily Freya  

Estou tão cansada de mim mesma

    Desde pequena eu sempre fui muito tímida,só falava quando me perguntavam algo e não gostava de chamar muita atenção.Com o tempo,fui ficando menos tímida e me abrindo mais com as pessoas,porém veio a pandemia e todos aqueles anos de "progresso" que eu tinha feito em relação a timidez foram embora.Além disso,fiquei mais insegura não só com minha aparência,mas também em relação a minha personalidade.Sempre acho que sou sem graça demais para estar ali e,como me importo muito com a opinião das pessoas,acabo não me expressando da forma que eu gostaria.

     O pior disso tudo é que nesses dois anos de pandemia muita coisa mudou não só no mundo,mas em mim também.Descobri coisas novas e que hoje com certeza são uma parte importante de quem eu sou e do que eu gosto,entretanto ao mesmo tempo que me encontro nessas novas coisas,percebi que muitas partes de mim eu ainda desconheço e não sei muito bem como lidar com isso.Fico receosa com tudo que eu faço e,como falei anteriormente,a insegurança se tornou meu maior problema ultimamente.Acabo me tornando "prisioneira" de mim mesma e me cobro muito por tudo,já que acho que não sou boa o suficiente em nenhum aspecto,não sou bonita,inteligente,engraçada,carismática o suficiente.
       Acabo me privando de participar de muitas coisas por causa dessas "vozes" dentro da minha cabeça que dizem o pior de mim.Muitas vezes me sinto censurada por mim mesma,já que não consigo me abrir direito para as pessoas sobre os meus problemas e incertezas por receio de estar incomodando e as fazendo perderem tempo com as minhas preocupações.E eu sei que isso tudo é coisa da minha cabeça e que as pessoas mais próximas entenderiam minha situação,mas ao mesmo tempo esse bloqueio comunicativo não vai embora e acabo não conseguindo expressar meus sentimentos.Tem até uma música que diz "prefiro fingir que sou algo melhor do que estas partes quebradas/fingir que eu sou algo mais do que esta bagunça que eu sou"e eu me identifico tanto com essa letra que já me peguei chorando com ela várias vezes.
       Esse sentimento de invalidez me persegue todos os dias,se importar demais com o que os outros pensam com certeza vai acabando com você por dentro.Consequentemente,todos esses pensamentos me fazem me comparar demais com outras pessoas e me questionar o por quê de eu não poder ser de determinada forma também.Realmente,estou muito cansada de mim mesma e meu desejo é só conseguir um dia me tornar confiante e ser eu mesma sem me preocupar com a opinião alheia.Inclusive,talvez me arrependa de mandar esse texto por não achar bom o suficiente e me culpar se tiver alguma coisa errada,mas acho que consegui expressar pelo menos uma pouco do que eu realmente sinto.

                            Atenciosamente,
                                        Mya Dawn Cullen

Tá todo mundo perdido

 Precisamos pensar nesse mundo vacinado. Praticamente dois anos de isolamento. 

Medo. 

Agonia.

Intensidade. 

Tudo misturado.


Os dez primeiros dias de novembro conseguiram virar o que eu acreditava e estava acostumada aos últimos tempos de cabeça para baixo. Sinto medo, com todas as letras.


Vivo todos os momentos de alegria misturados com agonia, é um agridoce que não recomendo. A vida que construí durante a pandemia pode ser considerada “real”? Dois anos na vida de uma criança parece uma eternidade. Acho que ainda sou criança.


Chorei por dois dias seguidos. Depois de uma noite maravilhosa, conheci meus colegas de faculdade. Nós nunca pisamos no campus. Ainda não entendi o porquê das lágrimas. E se a vida tiver de voltar para o isolamento? 


Estou completamente perdida no mundo. Acho que todo mundo está.


Shalla Bal

Dores

 Gostaria de poder ligar para ela agora. Confidenciaria os meus maiores e mais supérfluos segredos. Provavelmente ela riria de mim, não por escárnio, mas porque ela sempre achou graça da forma hiperbólica a qual eu me expresso.

Contaria que passei na faculdade, era o que ela mais queria que acontecesse, pois, ainda que indiretamente, ela lutou por isso. “Jornalista? Quer dizer que a minha netinha aparecerá na televisão, é?” É o que ela diria, com muito orgulho. Sem que eu soubesse, ela pediria à minha mãe que me entendesse e não tentasse me obrigar a ser quem eu não sou. Mamãe me ama e confia em mim, mas ela peca pelo medo do que o mundo pode fazer comigo, o que o mundo pode me tornar. Contudo, se tinha algo em que ela confiava, era na boa criação que vocês me deram, nisso não era possível duvidar.

Gostaria que ela fosse ao meu casamento e aprovasse minha escolha de companheiro para vida. Ela nunca chegou a conhecer meus fugazes amores, gostaria que ela tivesse conhecido, ao menos, o meu primeiro amor, acredito que ela simpatizaria com ele. Bom, ao menos até descobrir o que ele fez comigo. Ele abriu um buraco tão grande em meu peito que, até nos dias atuais, vejo-me incapaz de amar novamente, de me permitir ser vulnerável. Se eu tivesse sido mais honesta e aberta em relação aos meus sentimentos, ela veria que somos mais parecidas do que um dia qualquer um pôde jamais imaginar. Se eu me permitisse, no dia da cerimônia eu andaria em direção ao altar, sempre nervosa, meu vício pelo controle não me garante nenhum sossego, mas eu ficaria anestesiada ao vê-la sorrir com a minha chegada. Com o seu vestido turquesa e seus dentes brilhantes eu seria ofuscada em questão de segundos, que audácia a dela ser mais bonita do que a noiva. 

Quando eu estivesse grávida do meu primeiro bebê, ela estaria lá. Diria que está tudo bem e que cuidaria de mim. Se tinha alguém no mundo que sabia cuidar dos outros era aquela mulher. Sendo menina, eu a nomearia de Maria Clara, um simples tributo em homenagem à Maria das Dores, minha mãe-vó. Dizem que Marias são sempre fortes e, se minha futura pequena herdar não somente o nome, ela também será. Outras pessoas alegam que “Maria” significa amar, concluo que elas estão certas.

Confesso que tento escrever prosas heroicas, romances trágicos e suspenses aterrorizantes, porém, sou incompetente na arte de não escrever sobre ela, as ideias não conseguem se transfigurar em palavras e o que me resta é escrever. Escrevo sobre a perda e como minha infância foi mais colorida ao lado dela. Agora tudo é cinza.

Acho que tudo sempre terá um reflexo da pessoa mais doce que já conheci. Talvez, assim, ela nunca de fato terá morrido, pois permanecerá sempre viva, queimando em mim.


Cida da Rocha

Amor nos tempos da pandemia.

 “Não posso sair, tenho que ficar aqui”.  Aquela mensagem digitalizada formada por vários pixeis agitava meu celular antigo. Não vou negar, eu realmente pensei que isso poderia acontecer. Pensei até, que se acontecesse, não me abalaria. Mas estava claramente errada, até pensei em falar isso numa crônica para uma matéria qualquer da faculdade. O que mais me frustra? O que agoniza triste no fundo do meu coração? Também  pensei na possibilidade de escrever qualquer coisa sobre as dores da morte. Mas aquela mensagem talvez tenha me feito lembrar do que eu tenho, com todas as forças e suspiros, afogar no meu inconsciente. Era recalque o termo que o professor com ares de intelectual dissera? 


“Eu sei que tínhamos combinado”. A segunda vibração do celular ecoou enquanto o microfone estava aberto pronto para receber minha resposta. “Desculpe, professor. O principal argumento da Teoria da Agulha Hipodérmica  de Lasswell é a não diferenciação das recepções cognitivas dos indivíduos quando expostos a um conteúdo midiático. Fechei o microfone e pensei “Foda-se Lasswell, mas talvez o cretino tenha razão”. Já não era a primeira vez que isso acontecia em meio aos imensos esforços de conseguir gozo, tesão, carinho, atenção ou qualquer coisa que arda. O isolamento, causado pelo SARS COV-2, me refrescou as lembranças do tempo do ensino médio, nas quais só me vinha cabeça a virgindade nunca perdida e a rejeição. A merda da rejeição.


“Infelizmente não vou conseguir”. Dei uma leve risada. Esse pelo menos foi cortês, pensei. Mas a vida adulta nem sempre possui essa cortesia. Já era a minha terceira tentativa de ter um encontro formal com alguém. E todos apresentavam os mesmos resultados. No individuo eram injetadas frases baratas, letras de músicas que eu sei que ele ouviu recentemente no Spotify, comentários de futebol e tudo mais que ser quer ouvir alguém a ser conquistado. Tudo vai relativamente bem até que, geralmente uma hora antes do encontro marcado, a negativa aparece.


Sua mensagem foi visualizada”. O silêncio pode ser a maior das dores, principalmente quando é antecipado por altas expectativas. As vezes acho nasci para aproveitar da solidão e toda vez que não acredito nesse destino ele me é lembrado com o amargo da rejeição. Agora me recordo de quando acreditava no amor enquanto lia Camões nos corredores do colégio. E sabei que, segundo o amor tiverdes, terei o entendimento dos meus versos. Sei que posso não ser merecedora de tal entendimento e também sei que posso não ter aquilo que quando se vê e sente não se deseja mais nada nesse mundo. Sei que meus encantos podem ser limitados e por isso induzem as mesmas respostas numa audiência, agora claramente indiferenciada. Por isso, foda-se Camões e todos aqueles que já escreveram sobre reciprocidade. Talvez eu fale isso naquela crônica de merda. 


Inês de Castro

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

O Acontecimento


Sempre me senti na obrigação de desejar que o acontecimento não passasse de imaginação. Mas no fundo sei que minha vida seria completamente diferente, no sentido ruim da possibilidade. Não sei se estar em paz com o acontecimento me torna desumana. Eu sei que existe um sentido já que, ou eu pertenceria a alguém e teria as escolhas invadidas pela fraternidade, pela religião em que eram baseadas as relações que até então existiam, ou eu não pertenceria a um vínculo tão significativo mas fosse agraciada com um pouco mais de liberdade e ganhasse uma vida pouco mais estável.

  Embora a vida inteira eu tenha desfilado numa corda bamba resumida nessa dualidade, não há um dia que eu não sinta a coceirinha que vem anunciar ‘’que vida eu teria tido se o acontecimento não tivesse acontecido?’’ e dói mais que ter que consumir visualmente essa redundância escrita. Quantas brigas eu teria presenciado? Quanta fome eu teria passado? Quantas vezes eu teria apanhado? A quantas restrições o fanatismo teria me destinado? Mas quanto amor eu teria ganhado? E se a droga não te roubasse da tua própria consciência? E se você se cuidasse e não fosse tão egoísta ao ponto de achar que tuas escolhas afetavam apenas a tua vida? Será que valeu a pena depositar a cura em um deus? Será que valeu a pena os vícios senão a esperança e o amor?

 Será que eu seria mais feliz se não tivesse a vida atravessada pelo acontecimento e visto a tua por um triz?

Prefiro acreditar que eu posso ser mais que isso, que o acontecimento não me defina por inteiro.Talvez um dia eu deixe de ser a personagem secundária da minha própria vida, talvez eu me torne a protagonista e escreva meu próprio roteiro.

 

Helena Belmonte 

 A maior tristeza da minha vida, foi me perder pra caber no mundo de alguém que já não queria que eu fizesse parte do mundo dela. Eu me doei, eu dei 200% de mim, fiz coisas q iam além dos meus princípios, me sujeitei a passar por coisas que em outros momentos da minha vida, eu nunca aceitaria.

Me perdi no processo de fazer ficar, fiz meu máximo pra continuar, pra ter por perto alguém que já tinha se entregue desesperadamente a me deixar, insisti, fui imaturo, mudei minha vida e mesmo assim não foi o suficiente pra você ficar.
A decepção me encontrou, no momento que me permiti acreditar que não seria passageiro, me encontrou bem antes de tudo acabar, me encontrou no momento que fazia planos, me encontrou no momento que a gente ainda estava bem, porque nada acaba quando acabou, sempre acaba antes de ser oficializado, e é na mensagem de bom dia que já não tinha mais o carinho que sempre teve, é na preocupação diária que já não existia. Errado eu? Talvez me acomodei na idéia de que seria eterno e hoje nem sei por onde você anda.
Decepcionado com tudo, fiquei quinze dias sem comer, mas não só por isso, parafraseando a Cecília "a tristeza nunca nos deixa, ela só se aquieta e espera o momento certo de dar as caras novamente" e quando você partiu, você abriu as portas do inferno e tinha muitas questões a serem resolvidas por minha parte.
A verdade é que eu sinto um carinho enorme por tudo que passei, porque me transformou no que sou hoje.

-Maktub