sexta-feira, 27 de maio de 2022

 Querida Dandara dos Palmares, 

Primeiramente gostaria de agradecer pelas doces palavras da crônica anterior. Durante a leitura, me senti acolhida e compreendida – o que não tem ocorrido com tanta frequência nas últimas semanas. Confesso que você me surpreendeu ao conseguir captar a minha essência de forma tão certeira, mesmo sem saber quem escreve por trás deste pseudônimo. Notei que, assim como eu, você também é observadora e carrega a sensibilidade nas palavras. No entanto, vale destacar que a minha aparência doce e tranquila não é capaz de definir completamente quem eu sou. Realmente, sou doce e tranquila na maior parte do tempo. Contudo, quando preciso me impor não hesito em deixar transparecer outros traços da minha personalidade. Afinal, o meu maior temor é ser silenciada.  

Entretanto, você realmente me conhece… Comecei a questionar se a ovelha é mesmo o animal que melhor me representa e cheguei a conclusão de que eu pareço uma ovelha. Porém, no meu interior vive uma grande loba – e eu não teria percebido isso sem você! Como você sabiamente observou, eu não estou bem… Mas acordo todos os dias na esperança de sair dessa escuridão que insiste em me consumir. De alguma maneira, estou lutando contra isso. Agora, escolho quais batalhas valem a pena e poupo ao máximo a minha energia. Já aceitei que não consigo mudar a mentalidade da minha família – são muito conservadores e não aceitam as transformações da sociedade, por isso a minha geração precisa tanto de terapia – como também não nasci para agradá-los.    

Ah! Achei ótima sua recomendação de música! Eu adoro ouvir músicas enquanto escrevo… Na verdade, tenho um gosto musical bem eclético nas minhas playlists do spotify. Lá você encontra um pouco de tudo: pop, rock, mpb, samba, nacionais e internacionais. Confesso que ainda não consigo desapegar de músicas antigas do início dos anos 2000 – essas são as que mais mexem comigo pela sensação de nostalgia.

 Respondendo ao seu questionamento: também gosto de tomar um bom vinho nas noites frias do inverno e aprecio muito rolês culturais em museus. Tenho uma relação muito próxima com as belas artes. 

Por fim, espero que com esta carta você consiga me conhecer um pouco mais. Tentei me abrir e sei que você vai me entender. Além disso, sinto que já somos íntimas… Você não está sozinha! Eu estarei aqui para te ouvir e acolher sempre que você precisar. A distância entre nós parece imensa, mas ela não impede o surgimento de uma grande amizade!         


Com carinho, Elizabeth Bennet.

Niterói, 26 de maio de 2022.


Querida Elizabeth Bennet, 


Me utilizo desta carta para apresentar meus sinceros agradecimentos por belas escolhas de palavras ao se referir ao meu pseudônimo. Obrigado por captar alguns elementos das minhas crônicas.

Por mais incrível que pareça, ler “Um olhar sobre o Pedro Bial da depressão” me fez ter vontade de escrever mais, acredito que todos gostamos de ler coisas boas sobre nós.

“Afinal, quem é o Pedro Bial da depressão?” Sou teimoso, gosto de fazer as pessoas rirem, e ser um bom ouvinte é o que faço de melhor. Gosto de bons papos e sou bem calmo.

No último parágrafo da crônica você escreve um olhar bem perspicaz, e me arrisco até em dizer que profundo sobre mim, confesso que você está certa. Mas, como tudo de ruim passa, venho com boas novas. Estou melhorando, mas ainda gosto desse olhar melancólico.

Bennet é um ótimo sobrenome, me lembro de uma personagem, de uma série americana teen. 

Bom, por hoje é só minha querida.


Atenciosamente,

Pedro Bial da Depressão.

Carta aberta a Ford Prefect.

Caro Ford,

Que enorme satisfação existir e ser transformado em texto através das palavras de alguém cuja escrita eu admire tanto. Você foi exímio ao examinar e me levar numa viagem através do meu próprio sobrenome fictício. Argus é um nome que não posso revelar porque escolhi, porque implica demais na minha identidade. Já Stoneheart é construção minha, que tem muito a ver com a jornada nos textos que construí até aqui. Eu prometi a vocês uma jornada, e hoje vou levá-los num novo passo. Meu nome.

Não o meu próprio nome, no entanto. Não tenho interesse em transportar minha identidade pra fora daqui. Tudo que Argus significa pra vocês, quero que vocês mantenham no Argus, pra que vocês olhem uns para os outros acreditando que eu possa estar ao lado de vocês, sem que vocês saibam. Ford me levou a enxergar Braveheart, uma versão diferente e mais artística de mim mesmo, mas eu me apeguei demais à rocha dura. Ela é meu conforto. O guerreiro mais corajoso pode se quebrar, mas uma rocha firme é difícil de partir.

No entanto, não é impossível. Sabe por que escolhi esse nome? Quem se lembra das aulas de Biologia vai saber que a vida e a matéria orgânica são originadas das rochas, num longo processo chamado Intemperismo. Como disse, muito me machuquei durante minha vida, e me tornei como uma rocha, mas de alguns anos para cá eu percebi que isso apenas me traria isolamento e uma degradação pessoal. Ninguém seria tão prejudicado por mim quanto eu mesmo. Por isso, eu permiti meu coração rochoso a passar pelo Intemperismo.

Aos poucos, eu aprendo a me desmontar, a esfarelar, me desintegrar, me remontar, degradar e florescer novamente. Aos poucos, eu me desfaço e refaço num compasso que nem todos conseguem acompanhar, mas um coração de pedra nunca foi uma significação da minha incapacidade de ver um futuro mais brilhante, pelo contrário. Stoneheart é justamente a promessa de que minha esperança de renascer há de se cumprir, não importa quantos milhões de anos eu espere. Por hora, eu deixo a chuva, o vento e o Sol mudarem minhas estruturas. Um dia, quem sabe, eu não escreva mais sob o nome Stoneheart, mas até lá, vou me recostar em minha cadeira e aproveitar o processo. Da rocha crua e degradada, um dia ainda há de emergir não mais Argus Stoneheart, mas quem sabe Argus Evergreen.

Ford Prefect tem um olhar perspicaz e muito afiado, e ler o que você acha de mim foi muito reconfortante e gratificante. Você tem um toque especial, uma magia no jeito que você escreve, e fiquei encantado pela forma que você pode me captar nos seus parágrafos. Uma experiência muito prazerosa. Você ainda ver esse coração corajoso sendo ainda mais criativo e artístico no futuro, e desejo ver sua trajetória ser tão frutífera quanto eu espero que a minha seja.

Com admiração,

Argus Stoneheart (por enquanto).

 Chorão acerta mesmo depois de morto


Querido Chorão 

De fato, é substancialmente difícil falar sobre alguém a partir de poucos textos. A amostragem é muito pequena e as impressões podem ser superficiais diante da complexidade daquele ser humano. Também tive cuidado e bastante respeito ao falar sobre o outro.
— Será que fui certeiro e delicado ao falar sobre uma persona? Pensei.
E com toda minha precaução ao falar sobre o outro neste exercício, me veio outra questão. Por que não tenho tamanha sensibilidade ao vivo e em cores no mundo real? O texto anterior abriu uma janela em minha mente, passei dias me questionando acerca da atividade. E, como penso muito, fato que talvez não saiba, resolvi dividir aqui como forma de catarse.
— Quantas vezes já fizemos este exercício, porém na vida real? Ou melhor, quantas vezes já prejulgamos alguém diante de uma atitude pequena? Refleti.
Um gesto, um sorriso, um olhar distante, uma palavra infeliz. Quantas vezes faço isso por dia mesmo que involuntariamente? É duro pensar nas possibilidades perdidas por causa de más interpretações. É triste pensar em como o ser humano - me incluo -  julga sabendo tão pouco.
Agora de volta a você, Chorão. Não te esqueci. Sim, você está certo na maioria de seus apontamentos sobre a minha persona. Sou tímido, ainda que contigo talvez não seja. Digo isso porque sou bem calado no início, porém sou outra pessoa quando crio intimidade. Então pode ser que fique surpreso quando e se souber quem eu sou. Também está certo quando diz que sou inseguro. Sim, me falta confiança e é algo que venho trabalhando comigo mesmo. A autoaceitação faz parte de nossa construção enquanto seres livres das amarras sociais. Pode-se dizer, Chorão, que, assim como disse em algumas crônicas, criei certo pânico social devido ao isolamento social. Contudo, está totalmente superado. Percebo isso, pois criei muitas amizades na uff desde então e não venho tido a menor dificuldade em me relacionar com novas pessoas. Inclusive, tenho me achado sociável demais. Como eu era antes do isolamento. Jamais pensei que eu retomaria a vida social com tanta rapidez e "facilidade". Talvez tenha feito um alarde desnecessário. Talvez o meu lado pessimista/meus demônios internos tivessem me feito acreditar no pior, que eu viveria para o resto da minha vida entocado como um rato com medo da vida.  

 Rio de Janeiro, 24 de maio de 2022


Querido Akil Ubirajara, 


suas palavras me tocaram profundamente e fiquei extasiada com a sua crônica. Confesso que não esperava que o resultado da proposta textual dada pelo professor pudesse ser tão tocante, mas foi. Também não imaginava que eu pudesse transparecer tanto de mim nas palavras, mas a forma como me descreveu bem foi realmente surpreendente. 


Logo no começo do texto, fiquei impactada: “Uma solista, alguém que se basta nessa vida, e ainda assim tem medo da solidão”. Essa frase me deixou perplexa, porque realmente sempre me senti com o peso de ser independente e me bastar, principalmente pelos traumas com os problemas que vivi com a minha mãe no passado. No entanto, a imagem externa e durona que criei para mim não diminuiu meu medo de ser só e a necessidade de companhia, no final das contas. Porque até quem se basta muito precisa de alguém às vezes, sabe? Normalmente não paro para pensar tanto nisso, mas sua análise me surpreendeu e me fez refletir profundamente. E admiro demais uma escrita que tem esse poder de reflexão.


Quando falou sobre minha escrita, abri um sorriso sincero. E no momento que escreveu sobre minhas motivações para ser jornalista, me emocionei. Suas palavras são tão belas e tocantes que é difícil não se sentir abraçada por seu texto. Você escreve com amor e por isso acho que sua paixão não se foi, como você sugeriu na crônica. Ela pode estar adormecida, mas não duvido de que vai conseguir acorda-lá. 


Por fim, obrigada por cada palavra. 


Com amor, Aria Masiul. 

 Querido Bluebird,


Seu texto me tocou profundamente. Acho que eu estava em uma situação na qual precisava “ouvir” aquelas palavras e entender o que você me propôs. É preciso coragem para se jogar de cabeça no que acredita e viver o melhor do que queremos e esperamos da vida. Esses últimos meses me faltou, e ainda falta, essa força de pular sem medo de cair, mas uma hora eu consigo chegar lá.

Agora vou mudar o rumo da conversa. Como você tem sido forte e se jogado nos seus anseios? Será que a ideia que você tem sobre si mesmo é o que você está sendo? É engraçado, veja, por vezes nos privamos do melhor para nós mesmos por puro medo de entender que a vida vai além daquilo ali. Mas eu penso diferente: a graça da vida é que ela vai muito muito além daquilo ali. Isso, as vezes, machuca, mas te ajuda a entender o que é o que. 

Não tenha medo de se jogar, Bluebird. As melhores coisas da nossa existência vêm do risco e adrenalina de não se saber para onde está indo, mas ir mesmo assim. Seu coração não precisa ser um espaço vazio e intocado.

Com carinho,

Nico.

Querido Pedro Bial da Depressão,


Fico feliz que meus mistérios óbvios o tenham guiado a uma descrição tão interessante. Dentre todos os adjetivos conferidos por você na semana passada, o que mais se aproxima da minha realidade enquanto persona por trás da persona é, sem dúvidas, “confusa”. 


Quanto à Karmen, você acertou em cheio. Ela, como o nome diz, é camaleão, se transmuta de acordo com seus medos e emoções: pode exibir-se em faixas avermelhadas, camuflar-se em tons de verde, espelhar as cores de Almodóvar, de Frida Kahlo (já que gostou da referência musical: https://www.youtube.com/watch?v=leL7KSkm97M). 


Nos dias tranquilos, azul, mas quase nunca. 


Você sabe qual é o meu maior sonho, Pedro? Ser ouvida. Não pretendo que me entendam, mas desejo intensamente que um dia minhas histórias e contradições possam lançar raios de luz sobre a vida de alguém, como Clarice um dia fez comigo. Ela se foi há mais de quarenta anos, nunca estivemos juntas neste plano, mas sua obra me salvou de mim mesma. 


Quem sabe um dia, para além das muitas camadas de personas, possamos tomar um café e conversar melhor sobre tudo isso. Também quero desvendar você.


Abraços,

Karmen Chameleon