domingo, 16 de outubro de 2016


11 de setembro de 2001. Sim, eu estava lá. Tinha acabado de completar 28 anos e trabalhava no World Trade Center, mais conhecido por torres gêmeas, em Manhattan. Parecia um dia normal, fui na cafeteria de sempre, tomar meu expresso duplo de sempre, e depois parti para o escritório. A manhã corria, papeladas e relatórios para preencher, cobranças do chefe... E então aconteceu. Ouvimos um estrondo por volta das 10 AM e nos disseram que a Torre Norte havia sido atingida por um avião entre os andares 93 e 99. Eu, que trabalhava na sul, me apavorei, como todo mundo. Ninguém entendia muito bem o que estava acontecendo, mas o conselho de segurança nos mandou voltar a nossos postos, pois nosso edifício estava seguro.
Alguns minutos depois ouço novamente um barulho muito alto e logo em seguida veio um cheiro insuportável de queimado. Os andares acima do meu também haviam sido atingidos. O prédio ficou em chamas por um tempo – não sei dizer ao certo – enquanto o caos se instalava por toda parte. Ficamos desesperados, mas da nossa localização não tínhamos como sair, era muita fumaça. Senti uma tremedeira, quase como um terremoto e então percebi que a torre estava desabando. E depois escuridão.
Quando acordei, a vista demorou para se acostumar. Devem ter se passado horas, que mais pareciam dias, nas quais só sentia fome, e sede, e dor. Muita dor. Quando tive consciência de que estava no meio dos destroços de um prédio que havia acabado de cair, quis gritar, mas não consegui. Estava prestes a desmaiar de novo, ou quem sabe morrer, mas tentei me manter firme. No resto do tempo comecei a pensar muito: sobre o que será que tinha acontecido, como estariam meus amigos, meus colegas de trabalho, minha família. De repente senti uma saudade imensa de todos eles e tive diversas daquelas reflexões existenciais.
E então chegou meu milagre. Ouvi vozes, uma em especial se sobressaindo, e senti os destroços do minúsculo espaço em que me encontrava remexendo, até que veio um clarão e uma mão, que pertencia a voz. Depois disso foi tudo um borrão. Fiquei semiconsciente e a voz se identificou como o bombeiro Tom do FDNY, e falou frases inspiradoras e motivacionais.
Dizem que a primeira coisa de uma pessoa que a gente esquece é a voz. Mas eu nunca me esqueci daquela que me salvou dessa experiência traumática. E que até hoje me leva a ser uma pessoa melhor.


Esquerdogata Felinazi

11 comentários:

  1. Interessante relatar algo marcante perante a sociedade na visão POV de outra pessoa. Atinge o psicológico diante do final através do moço que salvou a pessoa do atentado é hoje seu companheiro de vida. Foi legal essa construção inesperada. Além de toda adrenalina perante o caos traumático. Linguagem textual rica e texto exemplar. Bom demais!!!!

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  2. Texto interessante que apresentou um POV diferenciado dentro de um fato histórico. A gratidão foi pensada de maneira bem criativa dos demais textos. Exerce cidadania e rompe as correntes do LEAD.

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  3. Pov realmente maravilhoso que abrange a visão de alguém que estava presente em um dos fatos históricos mais conhecidos, ótima escolha mesmo! O lado psicológico ficou ótimo e a gratidão é percebida facilmente. O que me incomodou foi que no final eu fiquei esperando por algo mais emotivo e achei que foi escrito meio que as pressas. No mais, ótimo texto.

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  4. O POV é muito interessante, achei a levada do texto meio devagar mas conseguiu atingir o objetivo. Tem umas descrições que remetem ao texto jornalístico, penso que o texto nao precisava delas e sim de descrições que entreguem um pouco mais da personalidade e das características da personagem. Um bom texto.

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  5. O seu texto é bem interessante porque conta no POV de uma pessoa que estava lá e sofreu o atendado, ao invés de relatar a questão com fatos jornalísticos. Com base na estrela de 7 pontas, você pegou os fatos que nós sabemos e transformou em uma narrativa, rompeu com as correntes do lead e potencializou os recursos do jornalismo. Na linguística, acho que você poderia ter se aprofundado mais para passar as emoções que o personagem sentiu. Na crônica, parece que essa parte está um pouco crua. Gostei bastante do texto.

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  6. A escolha de POV, como foi ressaltado acima, foi excelente! Muito legal você tratar de um fato que é tão conhecido, pelos olhos de alguém que estava presente. Achei o texto muito bem escrito e que prende o leitor. No entanto, acho que o final podia ter sido mais aprofundado. Ainda assim, ótimo texto!

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  7. Interessante, mas acho que faltou mais emoção, poderia ter aprofundado em algum ponto, pois a história do 11 de setembro é bem conhecida, o que pode acabar se tornando clichê. Mas mesmo assim, ótimo texto, muito bem escrito!

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  8. O texto foi bem feito. Boa utilização da referência do "11 de setembro" com o POV. De um certo modo ficou um tanto comum, mas o final mostra bem a presença do tema.

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  9. Gostei da escolha do POV, e achei que você desenvolveu bem, não creio que precisaria se aprofundar mais. Usou bem os elementos descritivos e criou uma boa ambientação pra história. Apesar de ser uma história conhecida, não achei um clichê. Muito bom.

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  10. Achei esse texto criativo, ainda mais por usar um acontecimento que todos conhecem como cenário da história, até me imaginei no lugar da personagem. Bom trabalho.

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