domingo, 18 de setembro de 2016

Eu tento.
  Eu tento, de verdade, esquecer a Jacqueline. Ou pelo menos deixar de amá-la. Há dois meses ela recebeu um pedido de namoro do Leonardo — “o estudante de medicina mais sensato do Ingá” segundo a Jacque — e como recebi educação em casa, acho melhor esquecer esse meu amor e torcer pela felicidade deles. Todas as partes do meu corpo entendem isso. Todas mesmo. Menos minha cabeça.
   Semana passada, na minha soneca pós-bandejão, sonhei que era o namorado da Jacque, e estávamos em um cruzeiro para o Havaí, bem clichê. Obviamente acordei muito triste, pois eu realmente quero respeitar esse namoro. Além disso, a única viagem que faço é pro boteco fim de carreira lá em Piratininga. Álcool é o melhor remédio pra quem tem menos de cinqüenta reais na conta bancária.
    Visitei a Jacque hoje. O caminho até a casa dela foi tenso. Fui saindo da república e já tava tocando Marília Mendonça na rua. Lembrei na hora do rolê em que ela vomitou ao som de Infiel. Jacqueline tava linda nesse dia. Mas foi só lembrar disso que me belisquei duas vezes. Não posso alimentar essa paixão. Mas foi só bater a fome que eu lembrei da padaria duas ruas atrás da dela. Já curtimos muita larica lá. Ela tava cheirosa.
     Quando finalmente voltei à realidade e consegui chegar a casa dela, ouvi a frase que mais parecia um tiro na cara. “Quer ser meu padrinho de casamento? Vai ter muito salgado lá”, Jacque disse com um sorrisão no rosto. “Ah, mas é claro, vai ser bom te acompanhar nessa jornada” foi a única coisa que me veio na cabeça pra falar. Dito e feito. Não resta alternativa, perdi de vez. Se eu bater minha cabeça no chão várias vezes até desmaiar, será que esqueço meu amor por ela? Não custa tentar.


Kane 3000

9 comentários:

  1. O texto é ótimo! Leve e bem escrito, a história deixa bem claro a questão do recalque.

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  2. Deu mole. No momento em que ela cantou infiel era pra ter agarrado ela kra........ No entanto, texto bom porém muito clichê. Talvez deveria ter visto dos amiguinhos, todos com texto de amor. Criatividade, galera!!!

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  3. Deu mole. No momento em que ela cantou infiel era pra ter agarrado ela kra........ No entanto, texto bom porém muito clichê. Talvez deveria ter visto dos amiguinhos, todos com texto de amor. Criatividade, galera!!!

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  4. Amor é tema recorrente sim, mas no fim é o que nos move, né não?! Gostei bastante, principalmente por citar Marília Mendonça.

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  5. Amor é tema recorrente sim, mas no fim é o que nos move, né não?! Gostei bastante, principalmente por citar Marília Mendonça.

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  6. O recalque fica bem claro e a linguagem do texto foi leve, o que tornou a história -que poderia muito bem ser trágica- divertida. Parabéns.

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  7. Apresenta uma leveza que torna o texto muito gostoso de ler. Gostei!

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  8. texto leve e bem divertido, gostei muito.

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  9. Me pergunto quem aqui não se identificou com a parte de bater a cabeça em algum lugar pra esquecer alguém hahahahaha texto divertido e gostoso de se ler

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