sexta-feira, 30 de setembro de 2022

Liberdade Reprimida



Um dia eu estava na rua com roupa de malhar e no período de 10 minutos fui assediada umas 4 vezes. Outra vez eu estava saindo com um short jeans e me perguntaram se não mostrava muito do meu corpo. E em outra, eu estava com um decote e recebi olhares descarados em cima dele. 


Quantas vezes fui orientada pela escola a usar roupas que marquem menos, afinal os meninos não conseguiam se concentrar. Quantas vezes eu deixei de usar certas peças pra tentar evitar um assédio. Foram tantas que fica impossível contabilizar. 


Sempre sendo sexualizada, julgada, questionada. Afinal, o corpo é realmente meu? Porque às vezes não parece. Talvez eu seja apenas uma marionete dessa sociedade que dita o que pode ou não ser feito, que me faz ter medo de escolher o que eu quero.


Eu queria muito sair vestindo (ou não) o que quiser sem o peso do que as pessoas vão falar. E o que eu faria se isso acontecesse? Tenho uma pequena lista. 


  1. Seria interessante sair sem blusa como os homens fazem, principalmente no verão do Rio de Janeiro. Abrir mão de qualquer parte de cima e sentir o vento batendo em toda parte superior do meu corpo. 

  2. Acho que eu aposentaria meus sutiãs. Eles realmente me fazem sentir presa, seria ÓTIMO andar por aí sem nenhum pano apertando meus seios.

  3. Ir para a academia com short ou top de malhar. Seria um sonho fazer isso sem receber assobios, buzinas e comentários escrotos.


É, realmente seria incrível ligar o fodase pra essa sociedade machista e nojenta, mas o medo de certas atitudes ainda fazem com que eu absorva esses comentários e pensamentos, internalize eles e siga algumas das normas de vestimenta. 


Por: Iris Granson


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