A Fatalidade da Ausência
Não sei o que pode ter acontecido numa certa noite na sua infância quando tinha 7
anos, mas Lena sabia exatamente o que esperar quando seus pais a chamaram para
conversar, e quando isso aconteceu, estava mais imóvel do que o sofá, seus pais haviam
se separado, na verdade, pelos atos frios entre si isso já tinha acontecido a muito tempo
e Lena acompanhou todo o processo. Aos poucos foi se acostumando com a ideia da
separação, apesar de ter a sensação que estava ficando cada vez mais sozinha. No início,
quase como para apaziguar a situação, encontrava seu pai semanalmente, depois de duas
em duas semanas, uma vez no mês, de três em três meses, até ficar um ano sem vê-lo.
Lena, que ainda carregava marcas, queria apenas ignorar a solidão que sentia, a
sensação de abandono, mas não conseguia, assim como o ar que respira, essa sensação
se tornou natural, parte de sua rotina, aliás, parecia que as cicatrizes internas eram muito
mais aparentes do que as externas. Lena estava desfrutando de uma tarde que teria tudo
para ser comum como as outras, exceto por uma mensagem, seu pai teria sentido o peso
do que fez e queria retomar sua relação de pai e filha, até que percebeu algo que já sabia
no seu íntimo, uma fatalidade, já não eram mais pai e filha, e sim estranhos,
desconhecidos um para o outro.
-Marimar.
O uso da pontuação no primeiro parágrafo é meio confuso, mas nada que afete muito o entendimento do leitor.
ResponderExcluirBoa escrita e bom uso das palavras.
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