sexta-feira, 5 de maio de 2023

Não existe amor em Curitiba.

 Demorei muito para entender o que significava amar alguém. Amar é depender

emocionalmente de alguém, se sentir obrigado a estar com outra pessoa a todo

momento, independente do que for. Eu sentia amor quando Kate estava por perto.

Kate não era um amigo, um namorado, um parente ou qualquer coisa do tipo.

Ele era metade de mim. Eu acordava e Kate estava lá, me esperando para nos

aventurarmos pelo infinito. Nós não tínhamos preocupações e nem queríamos ter,

afinal, nós tínhamos um ao outro.

Nunca tive coragem para perguntá-lo sobre seus sentimentos. Gostaria de saber

se ele enxergava nossa relação da mesma forma que eu. Apesar de ser tagarela e

acolhedor, Kate escondia muito de mim. Haviam dias em que era difícil reconhecê-lo.

Sua forma de falar, sua forma de agir, seu amor por mim era diferente. Mas era tudo

passageiro, tudo sempre foi passageiro.

Um dia, acordei sem Kate. De repente, metade de mim estava faltando. Minha

alma desapareceu e meu corpo era oco. Eu não sentia nada. Somente o vazio.

Nada até hoje consegue me fazer esquecer o que eu sentia quando Kate estava

por perto. Consigo apenas reprimir essa vontade de voltar atrás e reviver nossos

momentos mais felizes. Infelizmente, ainda não há medicamentos para isso.

- Flash Casanova

2 comentários:

  1. Flash Casanova,fiquei muito curiosa para saber o que aconteceu com Kate. Seu texto está muito bem desenvolvido,prende o leitor!

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  2. Interessante, eu apenas tentaria desenvolver mais o texto.

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