quinta-feira, 11 de novembro de 2021

Quero me curar de mim

Nunca sei ao certo quando ela chega, é uma visita inconveniente que nunca avisa quando vem. Posso estar no meio de uma multidão, em casa me preparando para dormir, estudando ou até mesmo sentada no bar com os amigos. Os sintomas despertam, é difícil viver sempre em alerta.

O mundo externo é só um agravante, entretanto, a maior parte da confusão vem de dentro. O coração dispara, a respiração desregula, as mãos tremem, a visão fica turva e a mente pensa em mil coisas por segundo. “e se uma bomba cair aqui agora, se o ônibus bater, se eu for atropelada ao atravessar a rua, se meus amigos me esquecerem e se...”

A mente não para e não alivia, as pessoas ao redor estão normais e eu não. Por que não posso ser normal também?

É frustrante estar em anos de terapia para aprender que só preciso me concentrar em respirar e isso não parece que vai me salvar da minha mente, mas vale a tentativa.

 Inspira. Respira. Inspira. Respira.

Não sei ao certo quem popularizou essa técnica, mas não funciona no caos que habita em mim. Em contrapartida, há algo que sempre alivia a tensão, porém é o mal pelo qual eu luto diariamente.

Puxo um fio de cabelo. Puxo outro fio. Mais um. Incontáveis.

De pouco em pouco tudo se acalma e agora outro sentimento se instala, o arrependimento. Arrependimento de ter caído na tentação, de ter cedido e ter deixado ela entrar. Nessa guerra interna eu não posso permitir que ela ganhe como ganhou agora, se eu não persistir para vencer, ela vem e me devora.

Quer saber quem é ela?

Ansiedade. Obsessão. Compulsão. Tricotilomania!


Moxie Day

4 comentários:

  1. É difícil ser refém da própria mente, e a sua frustração é perfeitamente compreensível. Espero que você possa celebrar todas as vitórias nessa guerra, por menores que pareçam, e que a ansiedade deixe de ser uma visita regular. Achei um texto belo, apesar de triste.

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  2. Moxie, eu me identifiquei muito com o seu texto. Sofro com ansiedade a ansiedade a anos, mas diferente de você, não me trato. É realmente um sentimento muito incomodo esse de "Será que não vai dar m*rda?" ou "eu vou errar, com certeza". E saber que somos uma bomba relógio, que pode "explodir" a qualquer momento, não ajuda nem um pouco com a doença. Enfim, gostei muito do seu texto e da forma que é fácil nos identificarmos com ele.

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  3. Moxie, fiz o mesmo relato que você e é isso tudo que você disse, é torturante. Espero que você esteja bem. Você descreveu o que muitas pessoas não sabem dizer como é, só sabem sentir... Melhoras!

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  4. Eu tenho uma prima que fazia exatamente a mesma coisa que você para se acalmar e para ela também funcionava muito bem e por isso foi bem difícil parar e conseguir ficar bem sem esse costume. Sempre achei muito louco quando paro pra pensar nas formas que arranjamos para que o mundo pareça um pouco menos pesado. É desesperador querer que a cabeça se acalme e não conseguir. É desesperador conviver com ansiedade. Espero que, com o tempo, a gente descubra como impedir essa visita de fato tão inconveniente, ou ao menos como diminuir sua frequência o máximo possível.

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