segunda-feira, 13 de junho de 2016

Ninguém tinha sido ele

Mais um encontro como qualquer outro. Eu, ele e dois pratos de lasanha entre nós. Comemos, conversamos, nos divertimos. Até que ele começa a remexer a comida, olha para baixo pensativo e pergunta – Você já trouxe alguém aqui antes de mim, amor? – Penso por 5 segundos se devo ou não responder, mas no fim digo a verdade – Sim, já trouxe. – depois disso, ele ficou quieto e quando raramente me respondia, era com monossílabas. Fomos juntos para minha casa, o trajeto todo em silêncio. Eu fazia comentários que se perdiam no ar. Entramos em casa, ele larga sua jaqueta no sofá, vai para o meu quarto e fica sentado na beira da cama olhando para baixo e balançando as pernas. Me sento ao lado dele, levanto seu rosto pelo queixo. – Sim, eu já levei outras pessoas àquele restaurante, mas nenhuma dessas pessoas era você. Nenhuma delas tinha o seu sorriso. Nenhuma delas me fez ter vontade de ficar ali por horas só ouvindo falar sobre a sua vida. – Foi bobo da minha parte? – ele pergunta, envergonhado. – Talvez – respondo com uma risada de canto de boca. – Mas eu talvez tivesse feito o mesmo. – Ele volta a encarar o chão por mais alguns segundos e assim que levanta o rosto, em uma sincronia perfeita, nós nos beijamos. Totalmente sem jeito, ele se joga sobre mim e inevitavelmente nós rimos da situação. Nos encaramos por alguns segundos e voltamos a nos beijar. Tiro sua camisa e sinto seus dedos tremerem levemente ao desabotoar a minha, deslizando-a por meus ombros. Ele tira sua calça e me ajuda a tirar a minha. Beijo o seu corpo por inteiro e por um momento me perco em sua pele bronzeada e seu cheiro. Alguns momentos depois, com ele sob mim, paro e o olho fixamente. Ele dá um sorriso envergonhado. – Você é lindo. Eu te amo. – Mais uma vez, ele abre aquele sorriso encantador e volto a me mover sobre ele enquanto me inclino para beijá-lo. Nosso beijo combinava. Nosso sexo combinava. Nosso amor combinava. Eu e ele combinávamos. Quando acabamos, ainda deitados lado a lado, nos acariciando e olhando para o teto, ele desvia o olhar para mim. – O que acha de outra lasanha agora? – e ri. Não havia nada de especial naquilo, mas eu concordo com a cabeça rindo e tenho ainda mais certeza de que nenhuma das outras tinha sido ele.


Peter Parker

Um comentário:

  1. Outro texto que prova que qualidade vale mais que quantidade. Um ótimo texto bem linear, bem simples, mas que atinge o leitor de uma forma excepcional. Seu texto faz com que o leitor se sinta parte da história, seja diretamente (devido às descrições detalhadas das ações das personagens) ou indiretamente (posto que a história contada é tangível e poderia acontecer com qualquer um de nós).
    O texto aborda o tema, embora foque muito mais no amor entre as personagens. Como características principais, destacaria a potencialização do jornalismo no que se refere à análise e à observação e sua visão ampla da realidade.

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