sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Rio de Janeiro, 20 de fevereiro de 2017.



Nunca pensei que eu pudesse amar, ou que fosse ser amada. Tudo que vivi até então indicava que eu não era merecedora do sentimento mais genuíno do mundo. Quando você chegou de fininho, confesso que nem liguei. Saímos juntos, nos divertimos juntos, achei que era tudo amizade, tudo parte do cotidiano, da zona de conforto. Só que algo em mim, até hoje não entendo o quê, fez você buscar me conhecer um pouco mais. Você me ligava tarde da noite para vermos o mesmo filme, passava horas falando sobre os diretores que você gostava e me perguntando sobre minha distopia favorita. Nunca me senti tão interessante, cada vez eu ia querendo mais. O problema é que eu me entendia de outra forma, algo inerente a mim jamais permitiria que eu fosse sua. Pensando que não daria em nada, continuei te vendo e achei que isso ia passar. Ingenuidade pura.
Até que eu fiz o impensável: te beijei. Foi a queda da bastilha, um levante dentro de mim. Por meses minhas noites se resumiram a pensar em você. A incerteza entre te querer ou apenas gostar de seu interesse. Horas e horas tentando decifrar cada parte de mim, cada palavra sua, cada momento nosso. Neguei, fingi ter cometido um erro, feito caridade. Tudo voltaria ao normal, eu pensava, não sirvo pra essas coisas. Me afastei. Os dias se arrastavam, a falta das suas mãos no meu cabelo me tiravam o ar. A ausência da sua voz entristecia o melhor dos momentos. E eu não conseguia ver filme algum. Esperava seus comentários, ansiava por suas críticas. Só o que eu queria era cair no seu entrelaço. Sentia falta do seu toque, do seus olhos sorridentes, do seu cheiro, das conversas de madrugada que iam de como a batata é o alimento mais versátil do mundo até o significado da vida.
Fevereiro chegou: nos reencontramos e, da maneira mais natural do mundo, você se desmontou diante de mim. Eu te vi por inteiro e me apaixonei sem decorar o caminho de volta. Dizem que amor é revolução, e à essa eu me entrego por inteira.

Sylvia Plath

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