sexta-feira, 6 de abril de 2018

17:46

A aula estava no quase no fim, mas minha atenção já tinha ido embora há tempos. Tudo era mais interessante que as regras do método sociológico de Émile Durkheim. O furo bem no meio da caneta azul, a distância irregular entre as janelas da sala, o pôr do sol do lado de fora... Tudo.

Então, me dei conta da estupidez daquela situação.

Droga, por que eu tinha que estar ali? Tanta coisa acontecendo e eu perdendo meu tempo com a incrível arte de ignorar cada palavra que chegava aos meus ouvidos. Não fazia o que queria, tampouco o que deveria. Era ilógico!

Por um instante, quis estar na praia com meus amigos, rindo e me divertindo enquanto observava o sol se pôr. Certamente me sentiria mais feliz. O tédio não mais existiria. Seria só alegria…

Mas quem sabe não fosse esse o meu erro? Eu buscava felicidade em situações hipotéticas. Me alimentava de sensações que não viveria. Procurava o pôr do sol em dias de chuva. Por que eu precisava esperar a situação perfeita pra botar um sorriso no rosto?

Pois é, o Pequeno Príncipe nos alertou e não demos atenção: "quando a gente está triste demais, gosta do pôr do sol". Acreditem, meus amigos, o pôr do sol não é feliz. Ele passa e você nem percebe. Quem lembra dele e pensa em alegria, na verdade, vive angustiado e preso a uma realidade que não vai vivenciar. Liberte-se dela. Sorria para o furo da caneta.

Por Suco de Caixinha.

5 comentários:

  1. QUE HINO AAAAAAAAAA!! (Ainda estou triste por não dar pra colocar imagens nos comentários porque eu iria gastar todos os meus memesssss!)

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  2. Ver o lado bom mesmo quando parece que não há. Isso mesmo! Amei a crônica!

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  3. eu AMEI MUITO essa desconstrução que você fez sobre o pôr do sol, incrível! parabéns!!!!

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