sexta-feira, 6 de abril de 2018

O último pôr do Sol.

Era domingo. Domingo de Sol? Não, coincidentemente era um de chuva. Parecia então, que a tristeza que eu e a minha família sentíamos por causa da morte recente de minha avó havia se ampliado neste dia. Minha avó? Era quem tinha as melhores histórias e por consequência as piores também. Minha avó? Era quem cozinhava o melhor macarrão e quem dizia: vá colocar mais comida, pois está muito magra. Ah, a minha querida avó. A tristeza era apenas o que eu vinha sentindo, mas hoje, uma semana após a sua morte, a saudade chegou até a mim.

Está sendo dia após dia que os momentos que vivenciei com ela estão se tornando apenas boas lembranças. Recordei-me então de um deles enquanto eu e a minha família jantávamos ontem; a segunda-feira em que eu e ela fomos ver o pôr do Sol. O dia taxado de o pior da semana, a segunda-feira, foi um dos melhores da minha vida. Eu e ela neste dia, estávamos com as nossas cangas estendidas na grama bebendo o nosso amado mate no Aterro do Flamengo que aliás é um dos meus lugares favoritos do Rio de Janeiro. Logo, às 18:37, lembro-me exatamente do horário, iniciou-se o pôr do Sol. Sou capaz de lembrar o quão verdes as gramas estavam, talvez pelo reflexo da luz do Sol e o quanto o mar estava agitado, que sem cogitar ao menos duas vezes, entramos para “pegarmos umas ondas” como ela dizia. Minha avó? Na adolescência, era surfista. E eu? Apenas, uma eterna aprendiz.

Já no mar, algo chamava a atenção dela no céu; os pássaros que talvez estivessem querendo participar dos nossos mergulhos ao pôr do Sol, mergulhavam também ao nosso lado. Já na areia, havia um casal de idosos rindo. Sobre o que? Não saberei dizer. Mas talvez, o riso seja um dos sintomas ao assistir um pôr do Sol daqueles, porque em seguida rimos também. Às 19:00 horas já não havia mais Sol, apenas eu e ela que após sairmos do mar nos abraçamos e logo após ela disse “minha filha, são momentos assim que fazem nossas vidas valerem a pena.” Eu? Devo desculpa a vocês, pois não conseguirei terminar essa crônica, pois a saudade juntamente a tristeza acabaram de me sufocar.

Por Ermyniana Valente.

4 comentários:

  1. Me identifiquei bastante. </3 :')

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  2. Não acredito que eu tô chorando, meu Deus do céu. Aceite meu abraço virtual, meu bem!

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  3. Texto lindo. Amei a forma como você aproximou o leitor usando uma linguagem bem simples e cotidiana. Você conseguiu, por meio da escrita, fazer com que partilhemos da mesma dor. Parabéns!

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    1. Ademais, gostaria de elogiar sua gramática! Não encontrei nenhum erro!

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